Saiu no NP

50 anos de 'Notícias Populares'

No dia 15 de outubro de 2013, completam-se 50 anos do lançamento do "Notícias Populares".

Fruto da parceria entre o jornalista romeno Jean Mellé e o também jornalista e deputado Hebert Levy, então proprietário da "Gazeta Mercantil", o jornal diário teve início com foco em temas caros à massa de trabalhadores da época. E caiu de vez no gosto dos leitores em 28 de novembro de 1963, quando fez a "reconstituição" da morte do presi dente John Kennedy e, no dia seguinte, estampou "Jacqueline no Brasil", em alusão a vinda da viúva, quando se referia apenas a um convite feito pelo governo brasileiro para que a americana substituísse o presidente em visita oficial marcada para o ano seguinte.

Depois disso, greves, denúncias de corrupção e temas econômicos permearam as páginas do "NP" em fortes críticas ao governo do presidente João Goulart.

Um ano após o golpe militar, em 22 de outubro de 1965, o "Notícias Populares" foi comprado por Carlos Caldeira e Octavio Frias de Oliveira, então proprietários da Folha.

Crédito: Folhapress Em sua edição número 1, o 'Notícias Populares' saiu com manchete sobre greve de professores
Em sua edição número 1, o 'Notícias Populares' saiu com manchete sobre greve de professores

Até o início da década de 70, em meio à censura imposta pela ditadura, o "NP" alcançou muito êxito ao explorar a Jovem Guarda, com destaques para o "sumiço" de Roberto Carlos e a criação de fotonovelas, além do uso de linguagem popular, chegando a atingir médias de 80 mil a 100 mil exemplares diários.

Em 1971, porém, após a morte de Mellé, o jornal enveredou por assuntos inusitados e repetitivos ("Mulher dá à luz uma tartaruga", "Mulher dá à luz um sapo") na tentativa de aumentar as vendas, que minguaram.

A guinada que resgataria o "Notícias Populares" como um dos mais vendidos do país, entretanto, foi iniciada ainda na primeira metade dos anos 70, quando passou a focar na cobertura policial, nos eventos esportivos (a saga corintiana para sair da fila de 23 anos sem títulos), em fotos sensuais de mulheres e em figuras inverossímeis (vampiros, alienígenas, bebê-diabo...).

Mesmo ainda identificado como jornal que "espreme que sai sangue" e sensacionalista, a partir de 79, o diário passou por outra mudança, com a adoção de novos colunistas, como Luiz Inácio Lula da Silva, dom Paulo Evaristo Arns e Franco Montoro, e se mostrou pioneiro ao abrir espaço para as minorias, que se expressavam em colunas de temáticas religiosas e étnicas, como o Espaço Gay.

Nesta fase, com o fim da ditadura, o "Notícias Populares", além de mostrar muita força na cobertura de Carnaval e de continuar a revelar personagens como Pelezão e O Pequeno ET, encampou a missão de traduzir para o cidadão comum políticas e planos econômicos e guerras fora do país, justificando o slogan de "O jornal do trabalhador".

Ao mesmo tempo em que manteve sua irreverência ("Governo degola os salários", "Aumento de merda na poupança", "Quem tem Ku-ait tem medo"...), o jornal jogou luz sobre questões sérias do cotidiano brasileiro, entre elas o avanço da Aids.


Nos anos 90, à parte as remodelações pelas quais passou, que vão da aposta em novos colunistas (como Rosely Sayão, no espaço "Tudo Sobre Sexo") e o fato de pela primeira vez ser comandado por uma mulher (Laura Capriglione), o "NP" ainda enfrentou tentativas da censura, quando foi ameaçado de circular "lacrado" e foi impedido de publicar apurações sobre a infância de Roberto Carlos.

Em sua última década, o jornal viveu grandes momentos ao retratar a queda de Fernando Collor da Presidência, ao ser o primeiro a publicar fotos dos mortos no massacre do Carandiru, ao trazer a morte dos Mamonas Assassinas, quando registrou recorde de tiragem com 250 mil exemplares, e ao mergulhar em temas da periferia, oferecendo aos leitores também um maior apuro em produções fotográficas.
Em 20 de janeiro de 2001, o "Notícias Populares" circulou pela última vez.

Fonte: Arquivos da Folha e "Nada mais que a Verdade - A extraordinária história do jornal Notícias Populares", de Celso de Campos Jr., Denis Moreira, Giancarlo Lepiani e Maik Rene Lima

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