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colunistas - tony goes

Sandy, Wanessa e a herança maldita

12/08/2011 - 10h16

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São duas princesas brasileiras. Nascidas na mais alta nobreza sertaneja, ambas são bonitas e talentosas. Mesmo assim, lutam contra o peso do próprio berço. Querem que as aceitemos por si mesmas. Mas como, se nem elas sabem direito o que querem ser?

Sandy é uma superstar desde os 6 anos de idade. Cresceu em frente às câmeras e jamais teve uma vida comparável à das outras garotas. Fez muito sucesso cantando musiquinhas caretérrimas. Hiper-protegida pela família durante a adolescência, hoje se esforça para apagar a imagem de virgem. Aos vinte e oito anos de idade. E três de casada.

Sua carreira solo ainda não se firmou. O primeiro CD sem o irmão Junior, "Manuscrito", até que vendeu bem, ainda mais nesses tempos de vacas magras discográficas. Mas nem de longe arranha o sucesso de uma Paula Fernandes - ironicamente, a nova rainha do sertanejo, gênero de que Sandy já disse muitas vezes não gostar.

Inclusive na recente entrevista à "Playboy". Mas música é um assunto secundário ali: como quase sempre, a revista só quer saber de sexo. Da primeira à última pergunta, as entrevistadoras tentam arrancar uma confissão bombástica da moça.

Mas não conseguem. Nem mesmo quando trazem à baila o sexo anal (claro que não foi Sandy quem tocou no assunto). Quem leu a resposta toda sabe que ela não declara ser fã do esporte. Tenta se sair da maneira mais diplomática possível: não condena nem endossa. Não adiantou nada: a "Playboy" jogou um fragmento de sua fala na capa, e provocou uma comoção nacional.

Foi aí que a filha de Xororó perdeu a chance de virar o jogo. Devia ter dito que sim, adora fazer anal, que seu marido sabe como excitá-la - "o de vocês não sabe?" Ia quebrar de vez a aura de santinha e assumir um novo papel: se não o de devassa, pelo menos o de uma mulher adulta que não deve satisfações a ninguém.

Mas ela, seus parentes, seus assessores, todos correram para explicar que não era bem isto. E assim voltaram à estaca zero. Apesar da campanha da cerveja, apesar da entrevista à "Playboy", Sandy continua passando a imagem de boa moça de família. E é claro que é isto mesmo o que ela é.

O caso de Wanessa é mais simples. A filha de Zezé di Camargo não foi estrelinha infantil. Começou a carreira há uns dez anos e emplacou alguns hits, mas nunca estourou para valer. Também recusou a herança sertaneja: aventurou-se no pop facinho e agora quer ser diva da dance music.

Mais especificamente, da vertente gay desse estilo. Wanessa descobriu um nicho e vem investindo nele com tudo, fazendo shows país afora em boates de rapazes. Também lançou um disco inteirinho em inglês, "DNA", muito bem produzido - e totalmente genérico. Wanessa soa como qualquer uma. O repertório até que é bom, mas falta personalidade e inovação. É forte candidato à lista dos melhores do ano. De 2005

E assim seguem nossas princesas: simpáticas, batalhadoras, ricas e famosas. Mas elas querem mais. Querem durar. Quem não quer?

Tony Goes

Tony Goes tem 54 anos. Nasceu no Rio de Janeiro, mas vive em São Paulo desde pequeno. Já escreveu para várias séries de humor e programas de variedades, além de alguns longas-metragens. E atualiza diariamente o blog que leva seu nome: http://tonygoes.blogspot.com

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