Tony Goes

Ao longo dos 10 anos do F5, famosos se tornaram paparazzi de si mesmos

Redes sociais mudaram a maneira como nos relacionamos com as celebridades

Influenciadores Camilla de Lucas, Felipe Neto e Kefera - Montagem
  • Salvar artigos

    Recurso exclusivo para assinantes

    assine ou faça login

Em 2011, o extinto Orkut ainda era a rede social mais popular do Brasil, mas logo seria ultrapassado pelo Facebook. Surgido dois anos antes, o Twitter apenas engatinhava. E um novo aplicativo começava a fazer sucesso, graças à disseminação dos smartphones: o Instagram.

Na época ainda não sabíamos, mas todas essas novidades na internet mudariam para sempre o relacionamento entre o público e as celebridades. Foi em 2011 que também nasceu o F5, em 31 de julho. Dois dias depois, eu estreava esta coluna. De todas as pessoas que já escreveram no site de entretenimento da Folha, sou o único que está desde o começo. Testemunha ocular da história.

E que história. Em 2011, paparazzi ainda ganhavam pequenas fortunas fotografando famosos em momentos de intimidade. Nem precisava ser um flagrante constrangedor: bastava, por exemplo, estacionar o carro no Leblon.

Hoje esta profissão está em declínio, porque a caça virou caçador –de si mesma. Em tempos de Instagram, são os próprios famosos que invadem suas privacidades. Ficamos sabendo pela boca da ex-BBB Mari Gonzalez, por exemplo, que ela trocou de DIU.

Algumas dessas celebridades chegam a delegar o controle de suas redes sociais a empresas especializadas, que se encarregam de postar piadas e gerar engajamento. Outras têm suas atividades online totalmente gerenciadas por profissionais, para ganhar mais seguidores e conquistar mais patrocínios. Qualquer anônimo que entre para o elenco de um reality show já tem uma equipe na retaguarda.

O que todos querem é o controle sobre suas próprias narrativas. Com isto, a figura do assessor de imprensa cresceu de importância: atualmente, para conseguir uma entrevista com quem quer que seja do showbiz, o jornalista precisa lidar com eles. Muitos têm formação jornalística e se tornam grandes parceiros, mas não faltam aqueles que mandam mensagens de madrugada, sugerindo matérias com novatos irrelevantes.

Dez anos atrás, também já despontavam os primeiros influenciadores digitais, um fenômeno que pegou de surpresa a mídia tradicional. Parecia que, de uma hora para a outra, ilustres desconhecidos (para nós) como Felipe Neto ou Kéfera Buchmann amealhavam mais fama e fortuna do que qualquer astro da Globo.

Por falar na Globo, é importante ressaltar que a emissora atravessou mais uma década como a mais assistida do Brasil, sem que suas concorrentes na TV aberta a ameaçassem em momento algum. Mas um novo fenômeno emergiu, mudando para sempre os hábitos de consumo de TV: os serviços de streaming, mais acessíveis que os canais pagos e com uma oferta de conteúdo ainda maior.

A Globo embarcou na onda, e hoje sua plataforma Globoplay é a segunda do Brasil em número de assinantes, perdendo apenas para a pioneira Netflix. Dezenas de outras surgem todo ano, algumas voltadas para nichos bem específicos do mercado. Com o fechamento dos cinemas por vários meses por causa da pandemia, então, elas se tornaram importantíssimas para o lançamento de novos filmes.

Só que, em tamanho, nada se compara ao maior monstro gerado nesta década: a massa amorfa e barulhenta de internautas, que cancela desafetos, cria memes e muda de ideia no segundo seguinte. Qualquer passo em falso de uma celebridade, e as redes sociais entram em combustão. Nada contra, aliás: foram as tretas na internet que inspiraram algumas das minhas colunas de maior repercussão.

O que vem por aí? Arrisco algumas previsões: o fim de muitos canais pagos, que migrarão seus conteúdos para o streaming; o declínio paulatino da TV aberta, com novelas e programas de auditório passando por grandes mudanças; influenciadores com menos zoação e mais responsabilidade, porque o mar não está para peixe.

Resta o imponderável. Qual será a próxima rede social a fazer sucesso? Será que elas ainda existirão daqui a 10 anos? Para saber de tudo isso, continue lendo o F5.

Tony Goes

Tony Goes tem 60 anos. Nasceu no Rio de Janeiro, mas vive em São Paulo desde pequeno. Já escreveu para várias séries de humor e programas de variedades, além de alguns longas-metragens. E atualiza diariamente o blog que leva seu nome: tonygoes.com.br

Final do conteúdo
  • Salvar artigos

    Recurso exclusivo para assinantes

    assine ou faça login

Comentários

Ver todos os comentários Comentar esta reportagem