Tony Goes

Telefilme 'Escândalo Universitário' aborda caso que levou Felicity Huffman à cadeia

Longa é estrelado por Mia Kirshner, que faz 1º papel cômico de sua carreira

Felicity Huffman (à esq.) e Lori Loughlin - AFP

Não é todo dia que uma atriz famosa vai presa. Por isto, é mais do que compreensível que a mídia especializada em celebridades tenha se esbaldado quando Felicity Huffman –que não é só uma atriz famosa, mas uma vencedora do Emmy e uma indicada ao Oscar– foi condenada por fraude e suborno.

Felicity passou apenas duas semanas atrás das grades. Também pagou uma multa de US$ 30 mil (pouco mais de R$ 150 mil, ao câmbio de hoje), o que não chega a ser uma fortuna para os padrões de Hollywood. Mas talvez esteja recebendo uma punição muito pior: desde que saiu da prisão, em outubro de 2019, não trabalhou mais. Não tem nenhum projeto novo anunciado.

Pagar com a própria carreira é um preço bastante alto para um crime que muitas mães não hesitariam em cometer. Felicity Huffman confessou ter gasto US$ 15 mil (aproximadamente R$ 75 mil) para que uma prova de sua filha Sophia Grace Macy fosse corrigida “secretamente” e, assim, a garota tivesse assegurada uma vaga em uma universidade de prestígio como Yale ou Stanford.

A atriz é só o nome mais conhecido de um grupo de 50 pessoas envolvidas em um grande esquema de compra de vagas em faculdades. Entre elas também está Lori Laughlin, da série “Três É Demais”, condenada a dois meses de prisão e a uma multa de US$ 150 mil (cerca de R$ 750 mil reais). Laughlin ainda não começou a cumprir sua pena.

É claro que um caso desses viraria filme. E já virou: “Escândalo Universitário” estreia neste sábado (4), às 20h30, no canal Lifetime. Para evitar problemas legais, o roteiro criou personagens fictícios, mas muitos detalhes são idênticos aos do imbróglio da vida real.

Eu conversei por telefone com a atriz Mia Kirshner, mais conhecida por papéis dramáticos, como no filme “Dália Negra” ou na série “The L Word”. Mas, em “Escândalo Universitário”, ela teve a oportunidade de exercitar uma inusitada veia cômica. Sua personagem, Bethany, é uma financista sem o menor escrúpulo em molhar a mão que quem quer que seja para garantir a educação dos filhos.

Mia Kirhsner nasceu no Canadá, onde o ensino é público e gratuito em todos os níveis. Por isto, ainda se choca um pouco com o sistema americano, em que as faculdades são caríssimas. Muitos pais precisam economizar a vida inteira para conseguir pagá-las. Também há alunos que contraem dívidas astronômicas, que levam décadas para serem liquidadas.

“É muito injusto o que essas mulheres fizeram. Alunos que mereciam muito mais as vagas que elas compraram acabaram ficando de fora da faculdade”, diz Kirshner. A atriz tem lutado por várias causas sociais. Em 2017, ela foi uma das dezenas de mulheres que denunciaram os abusos sexuais cometidos pelo produtor Harvey Weinstein.

“Mas eu moro em Los Angeles há muitos anos, e conheço várias figuras como a Bethany”, acrescenta ela. “O que não falta por aqui é gente deslumbrada e alienada, que acha que o dinheiro compra tudo”. De fato, em algumas cenas de sua personagem diz coisas tão ultrajantes que ela parece estar num episódio de “Curb Your Enthusiasm”, a série de humor ácido exibida pela HBO.

Qualquer paralelo com Lori Laughlin não chega a ser coincidência. Ao contrário da discreta Felicity Huffman, que saiu de circulação desde que foi solta, Laughlin tem dado entrevistas, e anunciou um filme que vai contar seu lado da história.

“Ela também disse que vai dar uma festa antes de ir para a cadeia”, ri Kirshner. “Pode uma coisa dessas?”.

Tony Goes

Tony Goes tem 58 anos. Nasceu no Rio de Janeiro, mas vive em São Paulo desde pequeno. Já escreveu para várias séries de humor e programas de variedades, além de alguns longas-metragens. E atualiza diariamente o blog que leva seu nome: tonygoes.com.br

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