Tony Goes

É justo que as emissoras peçam a seus contratados para 'pegar leve' quando o assunto é política?

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Existe um mito recorrente de que os grandes veículos da mídia obrigam seus colaboradores a emitirem todos uma mesma opinião política. Ou, pelo menos, a não manifestarem opiniões contrárias às dos proprietários daqueles veículos.

O alvo mais frequente desse mito, como não poderia deixar de ser, é a Globo. Como se Monica Iozzi, Paulo Betti, Letícia Sabatella e tantos outros contratados da emissora só pudessem publicar “selfies” nas redes sociais.

Na verdade, os artistas da casa só estão impedidos de participar de campanhas eleitorais, seja de que partido for. No resto do tempo, todos podem se expressar à vontade. Inclusive estrelar comerciais do PT, como já fez José de Abreu.

Esta regra faz sentido. Afinal, as novelas têm um público-alvo muito amplo, e não apenas segmentos específicos. São produtos caros demais para se arriscarem à rejeição pela parte do público que não gosta de determinado ator por causa de suas posições políticas.

Mas foi-se o tempo em que um Assis Chateaubriand obrigava todos os funcionários de seus jornais a apoiar os candidatos que ele escolhia. Inclusive porque isto seria inútil nos dias de hoje, em que a internet corre praticamente solta.

​ Mesmo assim, os grandes canais da nossa TV aberta pediram para seus elencos “pegarem leve” nesta semana turbulenta.

Também faz sentido. Afinal, os ânimos andam crispadíssimos. E episódios recentes, como cuspidas em restaurantes ou bate-bocas no meio da rua, mostraram que um certo comedimento é sempre recomendável.

Longe de mim achar que famoso não deve se meter em política. Todo mundo deve. Aliás, este é um saldo positivo da confusão em que estamos metidos.

A maioria dos brasileiros sempre foi um pouco alheia às maquinações do poder. Pois eu prefiro que briguemos uns com os outros do que permanecermos quietos e indiferentes.

E no entanto, a polarização atual também é exaustiva. Ninguém aguenta mais discutir com estranhos em sua própria “timeline”. Qualquer palpite, mesmo ponderado, pode gerar uma luta de foice e destroçar amizades.

Por isto, acho justo que as emissoras peçam para seus contratados maneirarem. São empresas, e dependem do público. Precisam manter um certo equilíbrio (o que não significa que tenham que ser imparciais o tempo todo).

Estamos passando por um momento dificílimo, em todos os sentidos. Mas, pelo menos, acho que estamos amadurecendo. Aposto que nas próximas eleições, por exemplo, todo mundo vai prestar mais atenção nos candidatos a vice-presidente.

Tony Goes

Tony Goes tem 60 anos. Nasceu no Rio de Janeiro, mas vive em São Paulo desde pequeno. Já escreveu para várias séries de humor e programas de variedades, além de alguns longas-metragens. E atualiza diariamente o blog que leva seu nome: tonygoes.com.br

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