Tony Goes

'Batman vs. Superman' confirma a irrelevância dos filmes de super-herói

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Esta não é uma crítica a “Batman vs. Superman - A Origem da Justiça”. Eu não vi o filme. Meu interesse por ele já era pequeno, e a avalanche de críticas devastadoras me desanimou de vez. Preferi economizar o dinheiro do ingresso e quase três horas da minha vida.
 
O que eu quero analisar nesta coluna é outra coisa: o impacto cultural dos filmes de super-herói, cada vez mais reduzido.
 
Como assim, “reduzido”? “Batman vs. Superman” faturou us$ 424 milhões nas bilheterias mundiais em seu primeiro final de semana. Também foi a quarta maior estreia de todos os tempos, a maior num mês de março e a segunda maior dos estúdios Warner Bros., atrás apenas do episódio final da série “Harry Potter”. Ou seja, um sucesso comercial avassalador.
 
E, no entanto, além das críticas ruins, que tipo de comentário o embate entre os dois astros da DC Comics está provocando fora dos cinemas? Quase nada. Apenas um meme viralizou: a suposta reação tristonha de Ben Affleck (que interpreta o Batman) ao perceber que estrelou um filme ruim, tendo como música de fundo a clássica “The Sounds of Silence”, da dupla Simon & Garfunkel.

“Batman vs. Superman” não gerou nenhuma “catchphrase”  —uma frase tirada de algum diálogo do filme, que ganha vida própria e se transforma num bordão— como “hasta la vista, baby”, de “O Exterminador do Futuro 2”. Nem mesmo uma cena polêmica, como Superman matando o general Zod com suas próprias mãos em “Homem de Aço”, do mesmo diretor Zack Snyder.

Esse baixo impacto midiático não é novidade. Já há algum tempo que o fenômeno vem se tornando mais nítido: as adaptações cinematográficas das aventuras dos super-heróis continuam arrastando multidões, mas não viram assunto.
 
A culpa, evidentemente, é do excesso de filmes deste gênero. Desde que a Marvel foi comprada pela Disney, são muitos os lançamentos anuais. O que nem tão antigamente assim era um evento e tanto —“finalmente, um filme do Homem-Aranha!”— tornou-se absolutamente banal, com um sem-número de continuações e “reboots” (quando a história da origem do personagem é contada novamente, e de maneira diferente).
 
Mas o fato é que a Marvel vem alcançando um êxito estrondoso, e sua rival DC Comics não quer ficar atrás. Portanto, dá-lhe um filme atrás do outro, com efeitos cada vez mais espetaculares e roteiros cada vez mais medíocres.
 
Daqui a um mês estreia “Capitão América: Guerra Civil”, onde esse herói da Marvel enfrenta o Homem de Ferro. Uma premissa parecidíssima com a de “Batman vs. Superman”. Muito provavelmente, vem mais um estouro de bilheteria por aí. E também —aposto— mais um “blockbuster” que vai evaporar sem deixar marcas. Até que estreie o próximo, pouco tempo depois.
 
Para terminar, uma nota de desalento. A Disney também comprou a franquia “Star Wars”, e vai saturar o mercado com novos episódios todos os anos. Isto quer dizer que a saga criada por George Lucas segue pelo mesmo caminho.

 

Tony Goes

Tony Goes tem 60 anos. Nasceu no Rio de Janeiro, mas vive em São Paulo desde pequeno. Já escreveu para várias séries de humor e programas de variedades, além de alguns longas-metragens. E atualiza diariamente o blog que leva seu nome: tonygoes.com.br

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