Tony Goes

Este fim de semana pode ser decisivo para a carreira de Wagner Moura

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Faz tempo que o Brasil não emplaca uma grande estrela internacional. Não vou dizer desde Carmen Miranda, mas talvez desde Florinda Bolkan. Esta atriz cearense, que assinava Bulcão quando ainda morava no Brasil, se mudou para a Itália na década de 1960. Durante mais de uma década, foi um dos principais nomes do cinema europeu. Até hoje é famosa em sua pátria adotiva, bem mais do que por aqui.

O mesmo não aconteceu com Sonia Braga. A eterna Gabriela foi para os Estados Unidos já com mais de 30 anos, e sem falar bem o inglês. Por causa disso, perdeu papéis importantes —como o da protagonista de "Atração Fatal", que acabou ficando com Glenn Close.

Hoje Soninha continua sua carreira americana, mas geralmente com personagens pequenos em filmes de pouca repercussão. Temo que aconteça o mesmo com Rodrigo Santoro: depois de um começo fulgurante, sua carreira em Hollywood deu uma certa esfriada. Agora ela está de volta ao Brasil e à Globo, gravando a primeira fase da novela "Velho Chico".

Mas um novo astro brasileiro desponta no horizonte global. Claro que estou falando de Wagner Moura, que vem recebendo convites para filmar lá fora pelo menos desde o sucesso avassalador de "Tropa de Elite 2", em 2011.

Só que poucos desses convites se materializaram. Por enquanto, Wagner tem apenas dois longas em inglês no currículo: "Elysium", uma ficção na qual fez uma curta participação, e "Trash", onde também aparece pouco.

Aquela que seria sua grande chance internacional tampouco rolou. Wagner estava escalado para viver ninguém menos que Federico Fellini em "Fellini Black and White", um filme de orçamento pequeno mas com elenco de prestígio. Infelizmente, o projeto foi cancelado com a morte repentina do diretor Henry Bromell, vítima de um ataque cardíaco.


Foi só um desvio de percurso. Wagner parecia mesmo destinado à fama em escala planetária. Tanto que, quando José Padilha foi chamado pela Netflix para comandar a série "Narcos", exigiu que o ator de seus dois "Tropa" ganhasse o papel de Pablo Escobar.

Um desafio e tanto, porque Wagner não falava o espanhol necessário para o personagem. Mergulhou no estudo do idioma, e ainda assim seu sotaque foi alvo de uma avalanche de críticas —principalmente no Brasil e na Colômbia.

A crítica americana não se importou, e elogiou sua performance. E, há cerca de um mês, Wagner foi indicado ao Globo de Ouro na categoria de melhor ator em série dramática. O prêmio será entregue neste domingo (10).

O ator já está nos EUA, fazendo uma espécie de "esquenta". Na quarta (6) esteve na festa de lançamento da Netflix em mais de uma centena de países. Nesta sexta (8), irá ao badalado "talk show" de Jimmy Fallon.

Não devemos esperar muito dessa entrevista. Fallon só se solta com quem conhece há anos. Com Wagner, provavelmente fará piadinhas com os clichês de sempre do Brasil e arranhará umas palavrinhas em português.

De qualquer maneira, é uma janela e tanto. O programa só será exibido pelo GNT no dia 16 de janeiro, com uma semana de atraso. Mas já neste sábado (9) devem pipocar imagens na internet.

E o Globo de Ouro? A concorrência é fortíssima, mas Wagner tem chances. O prêmio gosta de descobrir novidades, em detrimento de estrelas mais estabelecidas. Mas, ganhando ou não, o ator já está no caminho certo para se tornar uma celebridade no mundo inteiro.

Tony Goes

Tony Goes tem 60 anos. Nasceu no Rio de Janeiro, mas vive em São Paulo desde pequeno. Já escreveu para várias séries de humor e programas de variedades, além de alguns longas-metragens. E atualiza diariamente o blog que leva seu nome: tonygoes.com.br

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