Tony Goes

Atores da Globo se reúnem para ler peças no Projac

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Já faz dois meses que, terça sim, terça não, atores do elenco da Globo se reúnem numa sala de reuniões do Projac para ler em voz alta textos clássicos de teatro. É a chamada "leitura de mesa", que costuma ser o pontapé inicial da produção de um espetáculo.

Só que nenhuma peça será produzida a partir dali. O objetivo desses encontros é flexionar os músculos, oxigenar a cabeça e dar a oportunidade aos jovens nomes da casa de entrar em contato com obras-primas que eles talvez não conheçam.

Sem nenhuma divulgação oficial, a fama das leituras dramáticas se espalhou pelos corredores da emissora. A sala começou a lotar, mas em nenhum momento se cogitou transferir o encontro para um auditório onde coubesse mais gente. A ideia é mesmo ter os atores sentados ao redor de uma mesa, com a audiência acomodada em volta deles.

Depois de alguns e-mails, consegui ser convidado para uma dessas leituras. Cheguei com uma hora de antecedência, com medo de não ter lugar. Aos poucos a sala foi se enchendo, e eu precisei controlar meu lado tiete para não ficar pedindo para tirar selfies com os muitos astros presentes.

Crédito: Renato Rocha Miranda/TV Globo/Divulgação O ator Osmar Prado
O ator Osmar Prado

O texto da noite era "Eles Não Usam Black-Tie", de Gianfrancesco Guarnieri —um marco da dramaturgia brasileira. Nos papéis principais, ninguém menos que Osmar Prado, Gisele Fróes, Gustavo Machado, Fabíula Nascimento e Jackson Antunes, além de um excelente elenco de apoio.

Todos sob a "direção" de Ulysses Cruz. Usei aspas porque não se trata de uma direção propriamente dita: os atores não se encontraram antes, não houve nenhum ensaio e alguns deles estavam lendo o texto pela primeiríssima vez. Com total permissão para errar.

E erravam, claro. Tropeçavam nas palavras e se confundiam com o sentido das frases. Mas aí se emendavam, liam novamente e acertavam em cheio.

Osmar Prado, totalmente à vontade, acrescentava palavrinhas às suas falas para que elas escorregassem melhor de sua boca, mas com total fidelidade às intenções do autor. Foi a grande estrela da noite, numa noite em que todos brilharam.

Terminada a leitura, seguiu-se um debate mediado pelo diretor. Detalhes sobre a conjuntura política da época em que "Eles Não Usam Black-Tie" foi montada pela primeira vez foram esmiuçados. Muitos dos presentes falaram de suas relações pessoais com Gianfrancesco Guarnieri.

Foi empolgante para mim assistir àquele embate de gerações e estilos diversos. E um privilégio fazer uma visita guiada às entranhas do processo teatral, a base de tudo o que vemos nos palcos, no cinema e na TV. Não perco o próximo encontro de jeito nenhum.

Tony Goes

Tony Goes tem 60 anos. Nasceu no Rio de Janeiro, mas vive em São Paulo desde pequeno. Já escreveu para várias séries de humor e programas de variedades, além de alguns longas-metragens. E atualiza diariamente o blog que leva seu nome: tonygoes.com.br

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