Tony Goes

Show de abertura foi o primeiro gol contra da Copa

Meses de ensaio, centenas de figurantes, milhões de dólares, e tudo isto para quê? Para uma cerimônia desenxabida, digna da Festa da Primavera de Taquara do Alto.

É verdade que as aberturas das Copas do Mundo não se comparam às das Olimpíadas. Não há desfile das delegações nem reconstituição de eventos históricos do país-sede. Umas dancinhas e já está bom: afinal, o que todo mundo quer ver é o jogo.

'Amo até seus defeitos', diz Bruna Marquezine sobre Neymar em rede social
Queremos ver Shakira chorando na final da Copa, diz dupla Zezé Di Camargo e Luciano
Globo dá ingressos da Copa para patrocinadores, mas vende para funcionários

Mesmo assim, o show que abriu os trabalhos da Copa de 2014 é sério candidato ao título de mais furreco de todos os tempos. É quase um acinte a Fifa produzir algo tão mixo num país acostumado ao esplendor dos sambódromos.

Com o Itaquerão ainda cheio pela metade, o espetáculo começou de repente, com pessoas vestidas de árvores e flores tentando ocupar o maior espaço possível dentro do campo. Não conseguiram: eram relativamente poucas para a amplidão do espaço, e a lona amarela que cobria o gramado só aumentava a sensação de vazio.


Dançaram, rodopiaram, "evoluíram", mas não conseguiram emocionar. Parte da culpa cabe à transmissão pela TV. Absolutamente todos os locutores de todos os canais que exibiam o show não pararam de falar um segundo, enchendo nossos ouvidos com detalhes imprescindíveis como o número de miçangas do maiô da bailarina no. 27.

Depois de "homenagens" à natureza, às pessoas e ao futebol do Brasil, chegamos ao ponto culminante da apresentação: "We Are One", a canção-oficial-que-não-pegou, cantada por Pitbull, Jennifer Lopez e Claudia Leitte.

Claudinha, coitada, que tanto "bullying" sofreu nas redes sociais, foi quem se saiu melhor. Teve 40 segundos a mais de glória cantando um trecho de "Aquarela do Brasil" antes da entrada em cena de seus colegas. E ainda sambou na cara de J.Lo, literalmente.

Mas esta nem deve ter ligado. Porque sua greve oportunista foi bem-sucedida: depois de anunciar na semana passada que não viria para São Paulo por causa de "problemas de produção", a diva aterrissou por aqui a tempo de rebolar na Arena Corinthians.

Sei, sei. "Problemas de produção". Só torço para que Jennifer tenha feito com a Fifa o mesmo que a Fifa fez com o Brasil: ameaçou tirar o time de campo se todas suas exigência$$ não fossem cumpridas.

Pelo jeito os cartolas arregaram, e não é que já estamos tendo Copa?

Tony Goes

Tony Goes tem 60 anos. Nasceu no Rio de Janeiro, mas vive em São Paulo desde pequeno. Já escreveu para várias séries de humor e programas de variedades, além de alguns longas-metragens. E atualiza diariamente o blog que leva seu nome: tonygoes.com.br

Final do conteúdo

Comentários

Ver todos os comentários Comentar esta reportagem

Últimas Notícias