Tony Goes

Tchau, F5: vou deixar de ser pedra para virar vidraça

Ao longo dos últimos dois anos, eu tive a sorte de poder comentar aqui neste espaço as enormes mudanças por que o mundo do entretenimento vem passando. A causa principal é a expansão irrefreável da internet, mas não a única.

A "rede mundial de computadores" --como era chamada em seus primórdios nas novelas, para facilitar o entendimento de um público ainda leigo-- só faltou tirar a Terra de seu eixo.

Todo o resto mudou de lugar. Conglomerados de mídia viram seu poder diminuir. Carreiras que eram tidas como inviáveis de repente não precisavam mais de um grande veículo para deslanchar. E, talvez o mais importante, o espectador passou a responder e a interagir com o que via. Na hora. Na lata.

Portais como o YouTube tornaram obsoletos os canais de TV que baseavam suas programações em vídeos musicais. Também proporcionaram a ascensão de fenômenos como o grupo de humor Porta dos Fundos, que ficou nacionalmente conhecido às margens da televisão.

Enquanto isto, a TV aberta brasileira passa por um momento de transição. A Globo, sob nova direção, está se reformulando da cabeça aos pés. Record e SBT reagem atordoadas à queda de audiência, promovendo cortes e mudanças na grade. A Band, apesar de alguns percalços, se firma como uma alternativa. E a Rede TV! desafia a nossa compreensão: como é que uma emissora com tantos problemas ainda consegue se manter no ar?

Já a TV paga atravessa um período de franca expansão. A "nova classe C" passou a consumi-la e a exigir mais conteúdo brasileiro. Conteúdo este que também está sendo favorecido pela nova legislação: nunca se produziu tanto. O mercado está aquecido.

No meio disto tudo despontam os serviços online como o Now (ligado à Net) ou o Netflix, que disponibilizam temporadas completas de seriados e centenas de longas-metragens a seus assinantes, sem intervalos comerciais. Uma revolução nos hábitos da audiência que está apenas começando.

Para completar, existem as redes sociais, que repercutem e ampliam o impacto de tudo o que acontece na cultura pop. Os publicitários estão reaprendendo as regras do jogo, e se empolgando com as novas possibilidades.

Ah, e também existem sites como o "F5", que recebem milhões de visitas todos os dias. Muitos internautas deixam aqui os seus recados: comentam, elogiam, xingam e acabam por fazer parte, eles também, desse espetáculo sem intervalo.

Eu também fiz, desde agosto de 2011. Assinei mais de 350 colunas, falando de assuntos que iam das mulheres-frutas às macro-tendências globais. Agora estou trocando de lado. Aceitei o convite para trabalhar numa emissora, e obviamente perderei toda a isenção para também ser crítico de TV. Vou deixar de ser pedra para virar vidraça.

Quero agradecer a todos os colegas que fizeram desses meus dois anos no "F5" uma experiência inesquecível: Tereza Novaes, Ricardo Feltrin, Alberto Pereira Jr., Vítor Moreno, Marina Gurgel Prado, Renato Kramer, Nina Lemos, Diego Rebouças, Pedro HMC e tantos outros que eu só conheço por e-mail --e mesmo assim são obrigados a corrigir meus frequentes erros de português e digitação.

Também agradeço, é óbvio, aos leitores que me aturaram tanto tempo. Continuo escrevendo no meu blog pessoal, e espero dar as caras por aqui de vez em quando. Beijos, abraços, desculpem qualquer coisa e até já.

Tony Goes

Tony Goes tem 60 anos. Nasceu no Rio de Janeiro, mas vive em São Paulo desde pequeno. Já escreveu para várias séries de humor e programas de variedades, além de alguns longas-metragens. E atualiza diariamente o blog que leva seu nome: tonygoes.com.br

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