Tony Goes

Morte de Nicole em "Amor à Vida" foi a cena mais cafona do ano

Os últimos momentos de Nicole (Marina Ruy Barbosa) dominaram o capítulo desta quinta-feira (8) de "Amor à Vida". O espectador foi submetido a muita choradeira no leito do hospital onde a moça estava internada, mas depois foi premiado com uma das sequências mais inacreditáveis exibidas pela TV brasileira em 2013.

Foi também o desfecho de uma trama paralela que se desenrolava na vida real: o corta-ou-não-corta dos cabelos da atriz. A sinopse original de Walcyr Carrasco previa que a personagem, acometida por um câncer agressivo, perderia a linda cabeleira ruiva por causa do tratamento quimioterápico.

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Mas Marina mudou de ideia. Apesar de ter se comprometido a raspar a cabeça, consta que não quis mais ficar careca depois de ser convidada para estrelar uma campanha publicitária de uma marca de cosméticos.


O assunto ganhou enorme repercussão na internet, com comentários pró e contra como num debate político. O autor acabou cedendo: Marina preservaria os cabelos. Mas também se "vingou". Ao invés de sobreviver à doença como estava planejado, Nicole iria morrer.

E morreu mesmo, da maneira mais "over" possível. No altar, vestida de noiva, diante de parentes e amigos. Logo depois de dizer o "sim" ao noivo escroque Thales (Ricardo Tozzi). Logo depois de descobrir que ele a traía com a comparsa Leila (Fernanda Machado).

Nem o mais antiquado dramalhão mexicano teria a coragem de exibir uma cena tão absurda, com diálogos descabelados e atuações grandiloquentes.

É preciso ser um ator do calibre de Antonio Fagundes para dizer um certo tipo de fala sem cair no ridículo. Daniel Rocha (que faz o jovem médico Rogério) e Angela Rebello (intérprete de Lídia, a empregada e guardiã de Nicole) não conseguiram escapar. Deram um show de canastrice.

Foi grotesco. Também foi divertidíssimo. Para se usufruir de "Amor à Vida", é preciso embarcar no folhetim. Desligar a incredulidade e o senso crítico, e se entregar à torrente de paixões.

Só que não estamos mais na década de 50 do século passado. Não deixa de ser surpreendente que, em um ano em que o Brasil está virando de ponta-cabeça, a maior emissora do país produza uma novela tão "velhusca".

"Amor à Vida" até que discute temas modernos como o casamento gay, mas seu "núcleo duro" não é muito diferente do de "O Direito de Nascer" e outros títulos dos primórdios da TV. E pensar que, há apenas um ano, assistíamos à pequena revolução no gênero que foi "Avenida Brasil".

No frigir dos ovos, "Amor à Vida" acaba sendo extremamente assistível. Não dá para desviar o olhar, como num acidente de trânsito. O duro vai ser manter este ritmo de uma cena épica por semana (a penúltima foi a saída do armário de Félix), mas não duvido que Walcyr Carrasco consiga a façanha. Ele não tem freios nem pudores.

Tony Goes

Tony Goes tem 60 anos. Nasceu no Rio de Janeiro, mas vive em São Paulo desde pequeno. Já escreveu para várias séries de humor e programas de variedades, além de alguns longas-metragens. E atualiza diariamente o blog que leva seu nome: tonygoes.com.br

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