Tony Goes

Gravação de "Sai de Baixo" teve choro, erros e clima de festa

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As "reunions" são um tipo de programa recorrente na televisão americana. Anos depois de terminada uma série de sucesso, é comum que elenco e equipe se reencontrem para um episódio especial, que geralmente mostra o que aconteceu com os personagens nesse meio tempo.

A "reunion" de "Seinfeld" --feita ao longo da sétima temporada de "Segura a Onda", estrelada por Larry David, o criador de ambas as "sitcoms"-- era tão esperada que ganhou até capa de revista. A de "Friends" ainda não saiu dos sonhos dos fãs, mas é frequentemente cobrada.

No Brasil nunca tínhamos tido uma, até porque nossa TV é muito mais voltada para as novelas do que para as séries. Mas esse jejum vai terminar com uma mini temporada de "Sai de Baixo", que começa a ser exibida pelo canal Viva no dia 11 de junho.

O primeiro dos quatro episódios inéditos foi gravado nesta terça-feira (4), no mesmo Teatro Procópio Ferreira, em São Paulo. Do elenco original, dois desfalques de peso. Cláudia Jimenez, que fazia a empregada Edileuza, se recupera de uma cirurgia no coração. E Tom Cavalcante, o porteiro Ribamar, provavelmente só pisará numa empresa ligada à Globo na próxima encarnação.

O resto estava lá: Miguel Fallabella (Caco Antibes), Marisa Orth (Magda), Luís Gustavo (Vavá), Aracy Balabanian (Cassandra), Márcia Cabrita (Neide Aprecida). Também não faltou um personagem essencial para o sucesso do programa: o público.


O charme do "Sai de Baixo" sempre foi sua plateia, que se esborrachava de rir a cada improviso do elenco. Um formato clássico que vem da "Família Trapo", exibida pela Record nos anos 60, e que será retomado pelo Multishow com o humorístico "Vai que Cola", que estreia em julho.

O público das duas sessões desta terça aguentou firme os atrasos e o frio, formando uma fila que dobrava a esquina da rua Augusta com a Oscar Freire. Era um reencontro aguardadíssimo: se os ingressos para as gravações do "Sai de Baixo" já eram disputados a tapa uma década atrás, imagine agora.

Nem os atores resistiram à emoção. O diretor Denis Carvalho contou que todos choraram ao entrarem novamente no mesmo teatro onde trabalharam por seis anos, de 1996 a 2002.

Mas como todos estão envolvidos em outros projetos e as agendas são apertadíssimas, não houve tempo para decorarem bem os novos textos. A ação teve que ser interrompida inúmeras vezes, tantos foram os erros e os "brancos" --muito mais do que antigamente, diga-se de passagem.

Só que ninguém se importou. O clima era mesmo o de um reencontro com a família, no palco e na plateia. Uma festa.

O texto continua recheado de absurdos, mas me pareceu melhor elaborado do que a média do programa --especialmente do que nas últimas temporadas, quando já imperava um certo vale-tudo. Também teve mais palavrões (que talvez sejam cortados na edição final) e mais piadas políticas. Inclusive um "chupa, Feliciano!" bem colocadíssimo.

Críticos mais ranhetas podem dizer que "Sai de Baixo" é uma relíquia de outra era, quando o Brasil era ainda mais desigual. De fato, não faltaram farpas contra a "nova classe C". O final do episódio, então, foi quase reacionário: os ex-ricos passaram a perna nos ex-pobres e voltaram a ser ricos.

Só que o que realmente importa é que, durante quatro semanas, estará quase tudo de volta: o "cabeção", o "canguru perneta" e, obviamente, o "cala boca, Magda" --gritado em coro pelo público com um misto de alívio e triunfo. Que saiu do teatro por volta da uma hora da manhã, exausto porém feliz.

Tony Goes

Tony Goes tem 60 anos. Nasceu no Rio de Janeiro, mas vive em São Paulo desde pequeno. Já escreveu para várias séries de humor e programas de variedades, além de alguns longas-metragens. E atualiza diariamente o blog que leva seu nome: tonygoes.com.br

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