Tony Goes

Mesmo com a crise, festival Eurovision continua divertido

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Pela primeira vez em muitos anos, Portugal ficou de fora. A Bósnia também, assim como a Eslováquia. Polônia e República Tcheca, que faltaram à edição do ano passado, igualmente fizeram "forfait" em 2013. A razão comum a todos: contenção de despesas.

É um sinal inequívoco da crise econômica na Europa quando tantos países não têm condições de enviar um mísero representante ao Eurovision, uma espécie de olimpíada musical que reúne quase todos os países do continente.

Um caso diferente é o da Turquia. O país, que é uma potência emergente, quer ser incluído entre os "grandes", que têm suas candidatas automaticamente classificadas para a grande final (atualmente são França, Reino Unido, Espanha, Itália e Alemanha). Não teve seu pedido atendido, o que fatalmente atiçaria a cobiça da imensa Rússia. Ofendeu-se e preferiu ficar de fora.


Este ano o festival acontece em Malmö, na Suécia, que venceu ano passado com "Euphoria", interpretada por Loreen. A canção se tornou um "hit" mundial, ganhando muitos remixes para as pistas de dança e tocando em rádios brasileiras.

A favorita de 2013 também vem da Escandinávia. Pesquisas e bolsas de apostas apontam a vitória de "Only Teardrops", cantada pela dinamarquesa Emmelie de Forest. A região costuma faturar o festival: até mesmo a balada "Running Scared", com que o Azerbaijão venceu dois anos atrás, tinha uma dupla de suecos entre seus compositores.

A falta de autenticidade é uma das marcas registradas do Eurovision. Na ânsia de vencer, muitos países contratam especialistas estrangeiros, e quase todos cantam em inglês. Se bem que este ano o fenômeno parece ter se invertido: um número recorde de nações inscreveu canções interpretadas em suas próprias línguas. É o nacionalismo em alta, outro sinal claro da crise.

Já faz algum tempo que a produção visual dos números é tão ou mais importante que a música em si. Mas em 2013 os participantes estão mais comportados, refletindo o clima deprê que se abateu sobre a Europa. Há mais baladas competindo, e menos "dance music". Mas, felizmente, cafonice é o que não falta.

O candidato da Romênia, Cezar, é um contra tenor de voz tão fina que soa como um "castrato". A Macedônia enviou uma cigana septuagenária para representá-la, a sacudida Esma. O Reino Unido desenterrou a veterana Bonnie Tyler, do clássico "Total Eclipse of the Heart". E a banda suíça Takasa, que se apresentou vestindo uniformes do Exército da Salvação, conta com um contrabaixista de 95 anos de idade - o mais velho participante do Eurovision de todos os tempos.

As semifinais aconteceram nesta terça (14) e quinta (16). A finalíssima poderá ser acompanhada amanhã, sábado (18), a partir das 15h30, pelo sinal a cabo da Televisión Española ou pelo próprio site do festival (http://www.eurovision.tv ). É uma experiência imperdível para quem acha que o brega também pode ser sublime.


Tony Goes

Tony Goes tem 60 anos. Nasceu no Rio de Janeiro, mas vive em São Paulo desde pequeno. Já escreveu para várias séries de humor e programas de variedades, além de alguns longas-metragens. E atualiza diariamente o blog que leva seu nome: tonygoes.com.br

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