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Ao completar 50 anos, Xuxa é um patrimônio nacional

27/03/2013 - 08h04

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DE SÃO PAULO

Pouca gente fala disto hoje em dia, mas Xuxa foi a pioneira das periguetes. A proto-Maria Chuteira. A primeira modelo a ficar realmente famosa depois de namorar um jogador de futebol.

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O ano era 1982 e a jovem Maria da Graça Meneghel, então com 19 anos, fisgou ninguém menos que o maior craque de todos os tempos: Pelé. Os dois se conheceram num ensaio fotográfico para a extinta revista "Manchete", e logo começaram a sair juntos.

O Brasil daquela época --ainda mais atrasado que o atual-- comentava à boca pequena a diferença de idades e raças, mas ninguém questionava a sinceridade daquele amor. Xuxa parecia estar realmente interessada em Pelé. E devia estar mesmo, tanto que os dois são amigos até hoje.

Mas não há dúvida de que aquele relacionamento serviu para destacar a jovem gaúcha da manada semianônima de beldades que disputavam um lugar sob os holofotes de então.

De uma hora para a outra, a lourinha rechonchuda estava em toda a parte: nas páginas da "Playboy" e da "Ele & Ela", no cinema, nos júris da televisão.

Foi neste começo de jornada que ela rodou "Amor Estranho Amor", o célebre filme de Walter Hugo Khouri onde seduz um menor de idade. Até hoje paga uma grana preta aos produtores, todos os anos, só para manter a obra fora de circulação.

Bobagem. O filme pode ser encontrado facilmente na internet. Além do mais, tem qualidade artística: não é nada do que se envergonhar. Muito mais embaraçoso é o filme que ela fez na sequência, o esquecido "Fuscão Preto".

Xuxa se tornou famosa rapidamente, mas parecia condenada a ser só mais uma gostosa em meio a tantas outras. Foi então que se deu a segunda virada em sua carreira: o diretor Mauricio Sherman enxergou nela uma apresentadora de programa infantil em potencial, e a convidou para comandar o "Clube da Criança" na também extinta TV Manchete.

O cara é realmente um gênio, pois a maioria das pessoas jamais diria que aquela garota tão sexy levava jeito com os petizes. Suas primeiras aparições no novo papel eram aterradoras: a moça tratava com rispidez a molecada.

Os adultos se escandalizavam, mas os guris adoravam. Xuxa lidava com eles de igual para igual, sem um pingo de condescendência. Sucesso absoluto.

Foi ali que se formou a parceria com Marlene Mattos, que duraria quase 20 anos.

As duas foram juntas para a Globo, em 1986. Na nova emissora, Xuxa já estava um pouco mais "domesticada". O sucesso foi ainda maior, espalhando-se por quase toda a América Latina e a Espanha.

Até meados dos anos 90, Xuxa era a maior estrela do Brasil. Tudo o que ela tocava se transformava em ouro. Vendia CDs, ingressos de cinema, roupas, brinquedos e mais uma infinidade de produtos.

Seu domínio sobre o mercado infantil era tão avassalador que ela demorou demais para largar o osso. Esta foi, ao meu entender, a grande vacilada de sua trajetória.

Xuxa insistia em ser a "Rainha dos Baixinhos" quando seu apelo junto a eles já não era mais o mesmo, talvez por causa da idade. Angélica foi mais esperta: logo fez a transição para o público juvenil, e daí para o adulto. O mesmo segmento que a ex-rainha jamais conseguiu conquistar.

Atualmente, Xuxa tem um programa nas tardes de sábado que vive em crise permanente. As constantes reformulações recuperam apenas uma fração da audiência que ela tinha em seu apogeu.

Mas, por outro lado, nada disso importa muito. Xuxa já está meio que acima do bem e do mal. Sua fama continua imensa: ela continua estampando capas de revista e provocando comoção por onde passa.

Também desfruta de enorme credibilidade, depois de décadas de ativismo pelas mais variadas causas sociais. Tanto que, de todas as celebridades que criticaram a indicação do pastor Marco Feliciano à Comissão de Direitos Humanos, foi a única a quem ele ameaçou com um processo. Ou seja: sua opinião ainda é capaz de assustar os poderosos de plantão.

Hoje, Xuxa completa 50 anos de idade, e é praticamente um patrimônio da nossa cultura. Marcou a infância de milhões de brasileiros e o imaginário erótico de outros tantos. Tem a coragem de se mostrar vulnerável, como na polêmica entrevista ao "Fantástico" em 2012, e também de se pronunciar contra tudo o que lhe parece injusto.

Por tudo isto, merece os parabéns. Felicidades, Majestade: eu não fui seu súdito quando você reinou (eu já era grandinho), mas admiro seu profissionalismo, seu poder de permanência e sua ausência de papas na língua. Que venham mais 50.

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