Tony Goes

Por que os reality shows musicais não pegaram no Brasil?

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A Record estreou nova temporada do "Ídolos" esta semana. Agora apresentado por Marcos Mion e com Supla e Fafá de Belém se juntando a Marcos Camargo no júri, o programa alcançou uma audiência razoável na terça e ainda maior na reprise de quarta (escrevo sem saber dos índices de quinta).

Os números podem até ser bons, mas será que daqui a um ano alguém vai se lembrar do vencedor? Quem se lembra dos campeões das edições passadas?

"Ídolos" é a versão brasileira do "Pop Idol", o reality show britânico que se tornou um fenômeno global e que ganhou sua encarnação mais bem-sucedida nos Estados Unidos.

Alguns ídolos de verdade foram revelados pelo "American Idol": Kelly Clarkson e Carrie Underwood, vencedoras da 1ª e da 4ª temporadas, respectivamente, estão entre as cantoras que mais vendem discos no mundo.

O roqueiro Daughtry e o espalhafatoso Adam Lambert nem precisaram chegar em primeiro lugar para engatar carreiras de sucesso. E Jennifer Hudson, 7ª colocada na 3ª edição, enveredou-se pelo cinema e faturou o Oscar de atriz coadjuvante pelo filme "Dreamgirls - Em Busca de um Sonho" (2006).

Este padrão se repetiu em quase todos os países onde o formato ou seus similares foram adaptados. A exceção que confirma a regra é até surpreendente: o Brasil. Como é que isto foi acontecer, justo num país com um cenário musical tão forte e um público tão viciado em TV?

Crédito: Edu Moraes/Record Supla, Fafá de Belém e Marco Camargo, jurados do "Ídolos"
Supla, Fafá de Belém e Marco Camargo, jurados da atual edição do reality show musical "Ídolos", da Rede Record

Sim, existiu o Rouge. Seis vocalistas selecionadas para formar um grupo durante o programa "Popstars", do SBT, que teve sua primeira temporada exibida uma década atrás.

As moças venderam mais de seis milhões de discos durante os três anos em que permaneceram juntas, mas duvido que alguém se recorde de outro de seus sucessos que não o grudento "Ragatanga".

A Globo transformou o espanhol "Operación Triunfo" em seu "Fama", que misturava confinamento, aulas com especialistas e concurso de calouros.

Curiosamente, alguns nomes que passaram por lá hoje têm destaque no panorama musical: Roberta Sá, Thiaguinho, Marina Elali... Mas nenhum deles tem o nome automaticamente associado ao programa.

"Fama" era exibido nos sábados à tarde, com pílulas ao longo da semana. Provavelmente se ressentiu por não estar no horário nobre.

Agora a Globo volta a investir no gênero, prometendo a estreia de "The Voice Brasil" para o dia 23 de setembro. A emissora escalou um júri peso-pesado: Claudia Leitte, Daniel, Lulu Santos e Carlinhos Brown.

E aposta no carisma de Tiago Leifert para segurar a audiência. Que provavelmente será boa, assim como a do "Ídolos" está sendo. Mas é impossível dizer se os vencedores desses programas terão sucesso duradouro ou se já estarão esquecidos até o Natal.

Houve um tempo em que música e televisão andavam muito juntas no Brasil --vide a geração de Chico Buarque e Caetano Veloso, revelada pelos festivais da Record nos anos 60. Hoje em dia, neguinho emplaca um hit numa novela e logo depois é tragado pelo vórtex espaço-tempo. Os novos realities musicais conseguirão reverter este padrão?

Tony Goes

Tony Goes tem 60 anos. Nasceu no Rio de Janeiro, mas vive em São Paulo desde pequeno. Já escreveu para várias séries de humor e programas de variedades, além de alguns longas-metragens. E atualiza diariamente o blog que leva seu nome: tonygoes.com.br

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