Tony Goes

A história da atriz que beijou Elvis mas preferiu virar freira

Só os cinéfilos mais aguerridos ainda se lembram de Dolores Hart. Ela fez dez filmes entre 1957 e 1962, ao lado de grandes nomes como Karl Malden, Montgomery Clift e Anna Magnani. Mas os títulos mais badalados de sua filmografia são os dois que rodou ao lado de Elvis Presley, "A Mulher que Eu Amo" e "Balada Sangrenta".

Foi então que, aos 25 anos, no auge da beleza, de casamento marcado e com a carreira em ascensão, Dolores largou tudo e foi ser freira. Hoje ela é a madre priora na abadia-fazenda de Regina Laudis, no Estado americano de Connecticut, e não se arrepende um segundo do rumo que deu à sua vida.

Esta história incrível é o tema de "God is the Bigger Elvis" ("Deus é o Elvis Maior"), que foi indicado neste ano ao Oscar de melhor documentário em curta-metragem e está sendo exibido no Brasil pelo canal pago HBO.

Veja o trailer:


O filme tem apenas 40 minutos, mais ou menos a duração de um episódio do "Globo Repórter" sem os intervalos, e deixa a sensação de que poderia ser um pouco mais longo. As razões que levaram a jovem Dolores a preferir uma vida contemplativa à fama, ao amor e ao dinheiro são apenas sugeridas.

Ela própria, dona de uma beleza serena aos 73 anos de idade, explica que buscava estabilidade. Filha de um casal muito jovem que se separou quando ela ainda era criança, Dolores não suportava o clima de competitividade que impera em Hollywood, apesar de ter tido sucesso logo de cara.

Mais perturbadora é sua relação com o ex-noivo Don Robinson. Ela chegou a experimentar um vestido de noiva e ele, arquiteto, a desenhar a casa onde iriam morar. Até que a atriz, exausta depois de uma longa temporada nos palcos da Broadway, aceitou a sugestão de uma amiga e foi descansar no tal convento. Seduzida pela atmosfera de silêncio e paz, voltou algum tempo depois, e para ficar.

Don Robinson não só a perdoou como também nunca a esqueceu, indo visitá-la frequentemente. O filme registra um dos últimos encontros entre os dois, onde se tratam praticamente como um casal --depois de trocarem "I love you"s, se despedem com um selinho nos lábios ("God is the Bigger Elvis" ficou pronto antes da morte de Don, em novembro do ano passado).

A diretora Rebecca Cammisa ainda mostra rapidamente as trajetórias de outras freiras da mesma abadia, mas nenhuma história é tão fascinante quanto a da ex-estrela de cinema. É importante ressaltar que madre Dolores não vive reclusa: ela ainda é membro da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, com direito a voto no Oscar, e foi à cerimônia de entrega do prêmio este ano para torcer por seu filme (que perdeu a estatueta para "Saving Face").

Veja Dolores Hart no tapete vermelho do Oscar:


"God is the Bigger Elvis" é um filme até bem-humorado, e a certeza de Dolores Hart de ter encontrado a felicidade na religião é tão tocante que chega a causar inveja. Para ela, Elvis Presley nunca foi páreo para Deus.

Tony Goes

Tony Goes tem 60 anos. Nasceu no Rio de Janeiro, mas vive em São Paulo desde pequeno. Já escreveu para várias séries de humor e programas de variedades, além de alguns longas-metragens. E atualiza diariamente o blog que leva seu nome: tonygoes.com.br

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