Tony Goes

"Titanic" em 3D é uma viagem inesquecível

"Você está pronta para voltar ao Titanic?" A pergunta que o caçador de tesouros Brock Lovett faz à centenária Rose Calvert vale para todo mundo. Alguém ainda tem saco para embarcar novamente no navio de James Cameron?

"Titanic" estreou nos Estados Unidos em dezembro de 1997 (no Brasil, em janeiro do ano seguinte) e arrastou para si tudo o que flutuava em volta: público, renda, prêmios, "zeitgeist". A bilheteria global bateu pela primeira vez na marca do bilhão de dólares e o filme ainda faturou 11 Oscars. Só foi superado por "Avatar", 12 anos depois, do mesmo diretor.

Mas será que foi mesmo? "Avatar" pode até ter feito mais dinheiro, mas seu impacto cultural foi muito menor. Duvido que alguém reconheça na rua o ator Sam Worthington, que interpretava o protagonista Jake Sully. "Titanic", por outro lado, transformou Leonardo Di Caprio num superastro que até hoje derrete corações.

O filme dominou de tal forma a época em que foi lançado que acabou provocando o que os americanos chamam de "backlash": um movimento contrário, um iceberg de opiniões desfavoráveis de gente farta do assunto. A canção-tema "My Heart Will Go On" tocou tanto, mas tanto, que não duvido que ganhasse hoje uma eleição para para a pior de todos os tempos.
Mas a verdade é que "Titanic" é, sim, um dos melhores filmes de todos os tempos. A comparação com "E o Vento Levou" é óbvia e pertinente: as duas obras contam a história de um grande amor tendo um grande fato histórico como pano de fundo.

Os dois épicos também compartilham o fato de serem longuíssimos, mas não terem uma única cena sobrando. Não têm "barriga", não têm encheção de linguiça: todas as sequências servem para levar a ação para a frente.

Assisti duas vezes ao "Titanic" original no cinema. Depois disto, só a alguns trechos na TV ou em vídeo. Fiquei curioso para revê-lo na versão em 3D, recém-estreada no Brasil. Será que o filme envelheceu?

Nem um segundo. Na verdade, está ainda melhor. O 3D simplesmente arrasta o espectador para dentro do transatlântico. Um único momento se ressente da tridimensionalidade: a partida de Southampton. Fica evidente que aquilo tudo é falso e que a tecnologia de 97 estava alguns anos-luz atrás da disponível atualmente.

Mas James Cameron se recusou a atualizar sua obra, como George Lucas fez com seus "Guerra nas Estrelas". A única alteração é o céu noturno: a pedido de um astrônomo, agora as estrelas estão nas posições corretas.

Todo o resto melhorou, principalmente as cenas "verticais" --como o quase suicídio de Rose, ou o espetacular afundamento da proa. Precisei tapar os olhos nessas horas.

Também chorei feito um bebê. O curioso é que não verti uma única lágrima há 14 anos. Por que esse aguaceiro justo agora? Talvez por causa das grandes tragédias que aconteceram desde então. Impossível ver "Titanic" hoje sem lembrar do 11 de setembro, do tsunami e até das enchentes e deslizamentos no Brasil.

Mas o melhor desse relançamento é mesmo o fato de "Titanic" voltar às salas de cinema. Há toda uma geração que só viu o filme em telas pequenas, e poder experimentá-lo em toda sua glória é um programa que ninguém deve perder. Embarque nessa.

Tony Goes

Tony Goes tem 58 anos. Nasceu no Rio de Janeiro, mas vive em São Paulo desde pequeno. Já escreveu para várias séries de humor e programas de variedades, além de alguns longas-metragens. E atualiza diariamente o blog que leva seu nome: tonygoes.com.br

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