Renato Kramer

'Ninguém comprou', lembra Andreia Horta sobre a época em que vendia torta de carne

A atriz Andreia Horta, que viveu Maria Clara, a filha do Comendador (Alexandre Nero) em "Império" (Globo - 2014), esteve no "Programa do Jô" desta quinta-feira (6).

Andreia relembrou o início de carreira, quando deixou Juiz de Fora (MG) para estudar artes cênicas em São Paulo. "Eu era meio orgulhosa, não gostava muito de aceitar dinheiro emprestado do meu pai, e com dois braços, duas pernas e uma cabeça que pensa eu achava que eu podia trabalhar para me sustentar", contou a atriz, que resolveu fazer torta de carne moída para vender para os amigos e ajudar no orçamento. Não deu certo.

"Eu achava uma delícia, mas ninguém comprou, foi um fracasso", lembrou com humor. Foi então que Andreia arriscou enveredar para o bolo de laranja: sucesso! "Eu estava em cartaz com a peça 'Crime e Castigo' no Centro Cultural São Paulo e comecei a vender para o botequim da frente um tabuleiro com trinta pedaços de bolo, a um real cada pedaço. Dava pra pagar minhas passagens e sobrava para tomar um café."

Na época em que foi chamada para o seu primeiro teste na Globo a atriz fazia parte do Teatro da Vertigem e vivia uma fugitiva da antiga Febem (Fundação Estadual do Bem Estar do Menor). "A minha cabeça estava raspada de máquina 8 e minha pele estava cheia de espinhas, eu tinha muita espinha", relembrou. "Eu não devia nem estar contando isso, agora que já passou", comentou, rindo.

"Eu nunca tinha ido ao Projac [centro de produção da Globo]. Cheguei lá e vi aquelas famosas com aqueles cabelos, aquelas peles... Eu falei: poxa vida, não vou passar nesse negócio". O teste para a minissérie "JK" (2006) constava de duas cenas: uma muito romântica e outra mais dramática. "Eu pensei: ninguém vai me aprovar para fazer uma moça romântica com essa cara. Então estudei mais a outra. Mas teve uma hora que o produtor de elenco falou que quem já tinha feito a primeira cena podia ir embora. Aí eu pedi muito pra fazer a segunda cena e graças a Deus me deixaram", contou a atriz, que pegou o papel de Márcia Kubitschek.

Jô chamou então uma cena da minissérie no telão em que José Wilker (1946-2014), como Juscelino, contracena com Andreia. "Tem que parar de me mostrar o Zé Wilker, porque eu fico numa emoção... Um amigo tão, tão querido!", disse o apresentador, tirando os óculos para secar as lágrimas.


"Ele era muito engraçado", contou Andreia. "O Zé andava com um gravador no bolso com diferentes barulhos de peidos. Então, passava uma dama, uma atriz com roupa de época, ele apertava o botão e fazia o barulho, era uma coisa inacreditável!", relembrou a atriz, que ficou com muito medo de que o ator a desconcentrasse e a fizesse rir nas cenas dramáticas que teriam juntos.

Tanto que foi falar com o próprio Wilker sobre o seu temor: "Bom, problema seu!", retrucou o ator com seu costumeiro espírito gaiato. Antes de realizarem a tal cena o ator ainda ironizou a situação da novata. Ao vê-la passar no corredor comentou com colegas: "Ai, eu tenho que me concentrar, senão não consigo fazer a minha cena". Mas na hora deu tudo certo, Zé Wilker não fez nenhuma piada. "Com o tempo você vai aprender que televisão é a arte de se concentrar em um minuto", lhe segredou o grande ator e ambos se tornaram bons parceiros.

Para encerrar, Andreia confessou que para fazer a doutora mineira Rosângela Guedes, na minissérie "A Cura" (2010), resgatou fortemente o seu sotaque mineiro e assim convencer o diretor Ricardo Waddington na reunião de elenco a lhe dar o papel. Deu certo. Uma cena da série é mostrada no telão. "Nossa, que atriz!", elogiou Jô. "Belíssima e fazendo essa cena lá de dentro mesmo, parabéns!". "Obrigada, muito obrigada!", agradeceu Andreia Horta.

Renato Kramer

Natural de Porto Alegre, Renato Kramer formou-se em Estudos Sociais pela PUC/RS. Começou a fazer teatro ainda no sul. Em São Paulo, formou-se como ator na Escola de Arte Dramática (USP). Escreveu, dirigiu e atuou em diversos espetáculos teatrais. Já assinou a coluna "Antena", na "Contigo!", e fez críticas teatrais para o "Jornal da Tarde" e para a rádio Eldorado AM. Na Folha, colaborou com a "Ilustrada" antes de se tornar colunista do site "F5"

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