Renato Kramer

Jerry Adriani, ídolo da Jovem Guarda, foi lançado como cantor italiano

"O Som do Vinil" (Canal Brasil) recebeu na última sexta-feira (27) o cantor Jerry Adriani, um dos grandes destaques da "Jovem Guarda", que comemora 50 anos em 2015.

O cantor falou sobre a sua trajetória e destacou a importância do seu disco "Um Grande Amor", lançado pela gravadora CBS em 1965 – ano em que estreou o programa "Jovem Guarda" na TV Record, sob o comando de Roberto Carlos, Wanderléa e Erasmo Carlos.

É este "vinil" que contém um dos seus maiores sucessos: "Querida" (Don't Let Them Move - G. Garret/ C. Howard - versão Rossini Pinto), exigida em seus shows até hoje: "É uma música que se eu deixar de cantar o pessoal vai pro Procon!", comenta Jerry com humor.

Ele conta que ainda muito jovem fez aulas de canto lírico. Teve então a oportunidade de cantar na Rádio Nacional (SP), e logo em seguida foi convidado por um amigo de escola para ser o vocalista da banda "Os Rebeldes", por volta de 1962. Um belo dia resolveram gravar um dos ensaios da banda em um "gravadorzinho de quinta categoria", lembra o cantor.

"Rapaz, eu achei a minha voz uma coisa horrorosa! Eu falei: mas é isso aí que é a minha voz?! Mas é muito feio isso aí! Eu não vou conseguir nada nunca!", concluiu na época. Ainda com "Os Rebeldes", o jovem vocalista conseguiu uma permissão da banda para fazer uma apresentação solo no programa de Antônio Aguilar e interpretou o "Rock do Sacy" (Baby Santiago/Tony Chaves).

Crédito: Divulgação O cantor Jerry Adriani
O cantor Jerry Adriani

Depois de muitos "nãos" recebidos, o grupo chegou ao programa de Julio Rosemberg, já com o nome "Jerry e Os Rebeldes". "Não tinha o Adriani ainda", ressalta o cantor. E foi nesse dia que ele foi convidado para fazer um teste na gravadora CBS. Assim começava oficialmente a carreira do paulistano Jair Alves de Sousa, o Jerry Adriani.

"Jerry veio de Jerry Lewis, eu era fã do comediante", conta o cantor, "e o meu primeiro nome artístico foi Jerry Hudson – uma mistura de Jerry Lewis com o galã de cinema Rock Hudson", acrescenta. Mais tarde Hudson daria lugar ao Adriani, em homenagem ao cantor italiano Adriano Celentano. "Só que eu achei que Jerry Adriano soava mal, então mudei para Adriani", declara.

"Foi tudo muito rápido. Eu cantei e fui aprovado. Em quinze dias o disco (Italianíssimo - 1964) estava pronto. Eu dizia pra todos que tinha gravado mas ninguém acreditava!", relembra um dos ícones da Jovem Guarda que foi lançado como cantor italiano. Foi um sucesso. Já o segundo disco (Credi A Me) não agradou tanto quanto o primeiro.

Com o 'boom' da Beatlemania no início dos anos 60, "o 'rock and roll' começou a aparecer no Brasil com o nome devidamente reformado de 'iê, iê, iê'" – comenta Jerry. Em 1963, "Rua Augusta" (Hervé Cordovil), cantada pelo ídolo jovem de então Ronnie Cord (1943 - 1986), foi uma das músicas emblemáticas do que viria a ser a Jovem Guarda.

"Havia uma militância que se incomodava muito com essa coisa da Jovem Guarda", lembra Jerry, "diziam que era um pessoal alienado. O Brasil realmente atravessava um momento político difícil, mas a Jovem Guarda vinha atuando em outra área, que era o social", argumenta o cantor. "O programa do Roberto foi um sucesso extraordinário!".

Logo em seguida, Jerry Adriani foi convidado para apresentar um programa que rivalizava com o da Record: "Excelsior A Go Go", pela extinta TV Excelsior. "Eu apresentava com o comunicador Luiz Aguiar, mas esse programa durou pouco tempo, uns 6 meses, porque a Excelsior já estava mal das pernas", relata Adriani.

Quanto ao seu primeiro disco gravado em português (Um Grande Amor), tratava-se de canções que tinham sido escolhidas para um outro cantor gravar: Jorge Silva – um excelente profissional que teve problemas nas cordas vocais e não pode fazer o disco, segundo Jerry. Ele então gravou e o disco foi um grande sucesso.

"Eu acho que esse disco ainda hoje tem um lugar, acho que as ideias dos arranjos são geniais. Foi um presente de Deus e uma falta de sorte do meu colega Jorge Silva que não pode gravar. E nós temos um grande público que nos acompanha até hoje, daí a longevidade da Jovem Guarda", declara o ídolo cujo fã-clube rivalizava com o do cantor Wanderley Cardoso nos anos 60.

Renato Kramer

Natural de Porto Alegre, Renato Kramer formou-se em Estudos Sociais pela PUC/RS. Começou a fazer teatro ainda no sul. Em São Paulo, formou-se como ator na Escola de Arte Dramática (USP). Escreveu, dirigiu e atuou em diversos espetáculos teatrais. Já assinou a coluna "Antena", na "Contigo!", e fez críticas teatrais para o "Jornal da Tarde" e para a rádio Eldorado AM. Na Folha, colaborou com a "Ilustrada" antes de se tornar colunista do site "F5"

Final do conteúdo

Últimas Notícias

Comentários

Ver todos os comentários Comentar esta reportagem