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'Tá no Ar' volta à telinha com o humor ácido e inteligente que o consagrou

13/02/2015 - 17h19

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A abertura da nova temporada do "Tá no Ar" (Globo) na última quinta-feira (12) já foi uma bela sacada, colando à exibição do "BBB15" com Marcius Melhem e Marcelo Adnet fazendo um discurso de eliminação para o apresentador Pedro Bial.

Iniciando os trabalhos, um divertido 'top' com cinco ex-brothers que ninguém lembra mais. Em seguida, um quadro que remete ao "Globo Repórter", "TV Repórter", apresenta uma matéria dramática sobre o indômito destino de muitos ex-BBBs: a ex-BBBlândia!

Novos flashes espirituosos, como o jogo rápido de pingue-pongue com o entrevistado, o resgate impagável do antigo jingle da "Poupança Bamerindus" e a sátira escancarada às eternas promoções da "Escravas Bahia", servidão total pra você! (anuncia Melhem).

O crítico contumaz (Adnet) reclama do "processo de Michaeljackização da TV brasileira cada vez mais branca". E reivindica: "Onde estão os negros em sua programação, Rede Globo? Pra quê que 'Escrava Isaura' era branca? Pra quê Lucélia (Santos) se nós tínhamos Zezé Motta?!" —e é cortado do ar.

"Esse programa contém pessoas fazendo coraçõezinhos com as mãos", avisa o locutor. Depois dos "Vídeos Mais Babacas do Mundo" aparece o Edu (Bruno Gagliasso), de "Dupla Identidade", tomando o seu "Cereal Killer's" no café da manhã: "mata a minha fome e cuida do corpo, Cereal Killer's, compre o seu caixão", avisa Edu.

Divulgação
Marcelo Adnet e Marcius Melhem em cena da nova temporada de "Tá no Ar"
Marcelo Adnet e Marcius Melhem em cena da nova temporada de "Tá no Ar"

Na "Vingança dos Famosos", Regina Duarte aparece num restaurante e reconhece o Zé Carlos, do cartório, que almoça com mulher e filhos. Regina não se aguenta e implora para fazer uma "selfie" com ele: "Meu Deus, Zé Carlos, eu sou muito sua fã!", diz a maior estrela da televisão brasileira enquanto atrapalha todos, mas faz a sua fotinho. E logo tira da bolsa uma papelada, perguntando se o Zé se importa de reconhecer uma firma para ela. Não contente, a atriz, que é a própria identidade da Rede Globo, ainda traz uma máquina de xerox para ele lhe fazer uma cópia autenticada. Genial.

Nos flashes, dois travestis que fazem ponto numa esquina discutem futebol ardorosamente. Para ex-diretores de estatais, ex-deputados e empresários pegos em grandes desvios de dinheiro público, que precisam manter a elegância mesmo afastados do poder, é lançada a tornozeleira de monitoramento "Golden Jail" —nos modelos "Pasadena", Lava Jato" e "Delação Premiada". Muito bom.

Lulu Santos aparece cantando a abertura de "Malhação Épocas". No melhor estilo "Amaury Jr.", aparece Rick Matarazzo (Melhem) apresentando o seu "Balada Vip". Ele está cobrindo o "Carnaval da Elite de São Paulo", e entrevista o produtor do evento Tony Karlakian (Adnet).

"Nós organizamos essa noite de carnaval paulistano antes do carnaval do resto do país, porque nossa elite nessa época do ano gosta de ir para Aspen, para bem longe deste calor e desse populacho que invade as ruas!", confessa Karlakian. "Fazem bem, fazem bem!", retruca Matarazzo. "Só de ouvir falar em axé e samba já me dá vontade de me internar no (hospital) Einstein!!!", declara Karlakian todo trabalhado no deboche.

O impagável Jorge Bevilacqua (Welder Rodrigues) volta com o seu "foca em mim", no "Jardim Urgente". Ao gritar o seu bordão, a foca de pelúcia voa na sua cara. Ele para, olha com ódio para os bastidores e solta: "Vai continuar, Batata? Vai ser esse tormento de novo esse ano? É isso? É isso, Batata?!", grita antes de pegar a foca e atirá-la de volta. "Pode vir o diabo a quatro! Chocalho neles!", vocifera Bevilacqua ao encerrar a notícia. Excelente humorista.

A ex-atriz mirim Ana Maria (Luana Martau) dá entrevista para a apresentadora do "Super Top" (Georgiana Góes). Ambas excelentes em diversos momentos do programa, especialmente neste quadro, no qual Georgiana chega à perfeição na sua imitação de Luciana Gimenez.

Para encerrar, uma prévia do carnaval das grandes escolas, com um samba enredo animado que não deixa pedra sobre pedra. No refrão, muito bem cantado, vem a paulada: "festa da hipocrisia, camarote lado a lado, o político e o bicheiro celebrando abraçados – tem quizumba na bufunfa, mulata fenomenal incentivando o turismo sexual". Não precisa nem desenhar.

"Tá no Ar", sob a direção geral competente de Maurício Farias, voltou com tudo. E voltou para ficar!

Renato Kramer

Natural de Porto Alegre, Renato Kramer formou-se em Estudos Sociais pela PUC/RS. Começou a fazer teatro ainda no sul. Veio para São Paulo e ingressou na Escola de Arte Dramática (USP), formando-se ator. Escreveu, dirigiu e atuou em diversos espetáculos teatrais. Fez algumas colaborações para a Ilustrada e, sempre a convite, assinou a coluna Antena, da "Contigo". Nesse meio tempo, fez crítica de teatro para o "Jornal da Tarde" e na rádio Eldorado AM. Mais recentemente foi colunista da Folha.com, comentando o BBB11. Atualmente, além de atuar, cursa Filosofia.

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