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Com presença cênica desconcertante, Igor Rickli esbanja carisma em 'Jesus Cristo Superstar'

20/04/2014 - 12h04

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A versão brasileira da consagrada ópera rock da Broadway "Jesus Cristo Superstar" (Andrew Lloyd Webber e Tim Rice), que teve a sua adaptação homônima para o cinema em 1973, chegou com tudo aos palcos paulistanos.

Jorge Takla, que assina cenários (com Paulo Correa), figurinos (ao lado da talentosa Mira Haar) e a direção geral do espetáculo, foi muito feliz em todas as funções. O espetáculo é eletrizante.

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As músicas, com versões em português de Bianca Tadini e Luciano Andrey, mantém a mesma beleza e sonoridade das originais, brilhantemente executadas ao vivo por uma excelente orquestra sob a direção musical da consagrada Vânia Pajares.

O ator Igor Rickli, que viveu recentemente o vilão Alberto na novela "Flor do Caribe" (Globo), interpreta Jesus Cristo de uma forma intensa e visceral. Além da sua presença cênica, que é de uma beleza desconcertante, o ator se entrega de corpo e alma para contar a história do Nazareno —e o faz com força, garra e muita verdade. E canta. Canta muito.

Canta muito também o ator Alírio Netto, que vive Judas Iscariotes. Desde a abertura, com a canção "O Céu Não Vai Te Proteger", à final "Superstar", Alírio dá um show com a sua extensão vocal e a sua interpretação vigorosa. Negra Li complementa o espetáculo com a suavidade e o romantismo de sua Maria Madalena, especialmente emocionante na canção "Não Sei Como Amá-lo".

É difícil destacar atores em um elenco tão afinado, mas alguns papéis dão maior oportunidade do que outros. Fred Silveira faz um Pôncio Pilatos vibrante, com o seu cantar impecável. Rogério Guedes (Caifás) e Julio Mancini (Annas) formam uma dupla imbatível. Pedro (Cadu Batanero) tem o seu melhor momento na canção "A Negação de Pedro". E Wellington Nogueira ganha a plateia com o seu divertido e debochado Herodes Antipas.

A luz de Ney Bonfante ajuda a criar o clima adequado e envolvente do musical que, equivocadamente ao meu ver, tem sido causa de revolta de alguns grupos católicos que provavelmente se esqueceram de que o questionamento religioso, com o devido respeito tal qual se apresenta no espetáculo, sempre poderá ser até uma forma de fortalecer a fé.

Esbanjando carisma e talento, é Igor Rickli quem deixa a sua marca registrada no teatro com louvor ao protagonizar essa versão brasileira, em cartaz no Teatro do Complexo Ohtake Cultural (SP). Imperdível.

Renato Kramer

Natural de Porto Alegre, Renato Kramer formou-se em Estudos Sociais pela PUC/RS. Começou a fazer teatro ainda no sul. Veio para São Paulo e ingressou na Escola de Arte Dramática (USP), formando-se ator. Escreveu, dirigiu e atuou em diversos espetáculos teatrais. Fez algumas colaborações para a Ilustrada e, sempre a convite, assinou a coluna Antena, da "Contigo". Nesse meio tempo, fez crítica de teatro para o "Jornal da Tarde" e na rádio Eldorado AM. Mais recentemente foi colunista da Folha.com, comentando o BBB11. Atualmente, além de atuar, cursa Filosofia.

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