Renato Kramer

"Show do Tom" dá um adeus emocionado à Record

"Eu tô emocionado", disse o palhaço Tiririca no especial de fim de ano do "Show do Tom" (Rede Record), que marca também a saída de Tom Cavalcante da emissora.

"Formamos uma equipe, você (Tom) dando espaço pra tantos jovens... foi só sucesso", concluiu o comediante. Tom Cavalcante foi até Tiririca e abraçou o colega, que desatou a chorar. Clima de despedida. O palhaço estava triste. Todos estavam.

Flashes de melhores momentos de uma temporada de sete anos de casa foram mostrados. Entre eles, uma espécie de "programa de calouros" que era realizado ao ar livre, em plena Praça da Sé (SP), no qual "João Canabrava" (Tom) era quem coordenava a bagunça. Num dos quadros, enchiam um fusca de gente, até no porta malas. Mais popular, impossível.

Crédito: Edu Moraes /Record O apresentador Tom Cavalcante se despediu da Record e do "Show do Tom"
O apresentador Tom Cavalcante se despediu da Record e do "Show do Tom"

Já no estúdio, o "Bar do Canabrava" recebia convidados. No episódio revisitado, o excelente comediante Shaolin (que está se recuperando lentamente de um grave acidente de carro) imita o cantor sertanejo Leonardo com perfeição. O próprio Leonardo chega sem que ele perceba e o tira de cena a tapas, em tom de zombaria.

"Motivo de orgulho trabalhar com você", comentou o humorista Pedro Manso, que fazia um "Fala Silva" igual ao Faustão. "Você não é só o maior humorista, é o maior gênio da TV brasileira. Você não é só um amigo, é um pai pra todos", concluiu chorando.

Foram lembrados personagens como 'Tomdovil', uma homenagem explícita ao polêmico estilista e apresentador Clodovil, e "Ana Maria Bela", em mais uma criação cheia de requintes e detalhes que davam vida a uma hilariante Ana Maria Braga.

Talvez o quadro de maior Ibope tenha sido o "Bofe de Elite", parodiando os personagens do badalado filme "Tropa de Elite". Cenas muito divertidas foram realizadas nos diversos episódios de "Bofe de Elite". "Era produção de cinema. Externas com duzentos profissionais, todos comandados por Bruno Gomes", ressaltou Tom Cavalcante.

"Eu quero muito te agradecer a oportunidade de me colocar em meio a esses monstros sagrados", disse David Cardoso Jr.. E os colegas de equipe foram pouco a pouco dando os seus depoimentos bastante emocionados. "Você descobriu um humorista em mim, depois de quarenta anos!", declarou Amin Khader. Ao que Tom retrucou, ainda segurando a emoção: "se o mundo for acabar em 2012, o Amim não morre mais, porque o Amin já morreu", brincou o comediante - referindo-se a um boato que teria saído na imprensa sobre a morte de Amin Khader.

"O quão é importante trabalhar do seu lado, porque você é o comediante mais completo do Brasil", declarou Carlos Alberto da Silva, o "Mendigo". "Fora o talento que você tem, você teve uma sensibilidade incrível de juntar essa galera tão diferente. Eu só tenho a te agradecer", foi a vez de Vinicius Vieira que fazia o "Gluglu" (Gugu Liberato).

Mas foi quando a humorista cearense Rossicléa (Valéria Vitoriano), que tinha escrito o seu depoimento no saguão do aeroporto, fez a sua leitura visivelmente comovida é que Tom Cavalcante chorou. "Nós somos crias suas. Quem dera ter a sua genética", afirmou Rossicléa, entre outras belas palavras.

"Com licença? Obrigada. Ele se acha!". Era o bordão de "uma empregada muito louca, muito desconcertada, que vai deixar saudades!", declarou Tom Cavalcante. "Jarilene", é o nome dela. "Eu podia estar matando, roubando, me prostituindo... mas estou aqui trabalhando", era o seu mais forte argumento. Geniosa e genial, Jarilene foi revista sentando no colo de Roberto Justus, entrando na banheira com Latino e fazendo uma cena romântica com Dado Dolabella.

"Eu não sei como, mas de repente eu fui tomado por um sentimento de amor por você", declara-se Dado. "Você não tá fumando o cigarrinho do demônio, não?!", desconversa Jarilene. Concordo plenamente com Tom Cavalcante, ela vai deixar saudades. Você também, Tom. Vê se não some.

Renato Kramer

Natural de Porto Alegre, Renato Kramer formou-se em Estudos Sociais pela PUC/RS. Começou a fazer teatro ainda no sul. Em São Paulo, formou-se como ator na Escola de Arte Dramática (USP). Escreveu, dirigiu e atuou em diversos espetáculos teatrais. Já assinou a coluna "Antena", na "Contigo!", e fez críticas teatrais para o "Jornal da Tarde" e para a rádio Eldorado AM. Na Folha, colaborou com a "Ilustrada" antes de se tornar colunista do site "F5"

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