Nina Lemos

"Celebrity Rehab" e o vício de acompanhar a vida de drogados

Na capa da revista "Caras", a atriz Vera Fisher sorri para um paparazzo. Ela saiu da clínica de reabilitação onde estava internada. Agora, cada passo da atriz será notícia. Isso porque uma celebridade com problema de drogas dá ibope. E a urubulândia que acompanhou a vida (e a morte) de Amy Winehouse está aí para provar.

"Ela tem tudo, é bonita, rica e famosa, por que será que foi se meter com drogas". A pergunta ronda os jantares das famílias "normais". Acompanhar a vida de "drogados" é uma mania contemporânea. Tanto que pode ser também um bom programa para a televisão.

Quem é viciado em ver os outros ferrados (e isso também é uma droga) pode assistir Intervention, um clássico da TV americana, onde familiares e amigos de alguém viciado obrigam o doente a ir para a clinica com as câmeras ligadas. As cenas de humilhação são gravada e fazem sucesso desde 2005.

Crédito: Fausto Candelaria/AgNews Vera Fischer ao sair clínica que estava internada na Barra da Tijuca
Vera Fischer ao sair clínica que estava internada na Barra da Tijuca

Mudando de canal, uma aberração: o programa Celebrity Rehab, do famoso Dr. Drew. A atração americana, exibida no Brasil pelo canal VH1, junta elementos que sozinhos já fazem sucesso: famosos, reality show e drogas. No reality, sub celebridades (ex misses, ex big brothers, esportistas etc) se internam na clínica Passadena (perto de Los Angeles, claro) para se tratar. O reality acompanha o dia-a-dia da clínica, com direito a brigas, sessões de terapia (quando a terapia é filmada é sinal de que algo no mundo não vai bem).Em um dos capítulos exibidos a pouco tempo no Brasil, uma moça tem uma convulsão de verdade, exibida em detalhes, junto com os gritos de socorro desesperados de sua colega de quarto.

A fórmula é muito cruel. A pessoa faz sucesso em um reality show, fica decadente, passa a ter problema com drogas, aí volta a um reality show completamente detonado. Parece um filme de terror. Mas é pior que isso.

Resta torcer para que algum canal de televisão não decida um dia comprar os direitos do programa e fazer um "Celebrities Rehab" brasileiro. Esse programa conseguiria ser ainda mais triste que "A Fazenda". E faria, sim, muito sucesso. E o mundo acabaria mais um pouquinho.

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