Nina Lemos

Não existe mulher como Norma

A personagem ícone da novela "Insensato Coração", que acaba sexta-feira (19), é Norma, aquela que foi assassinada ontem na trama. A moça, interpretada por Glória Pires, é a grande estrela. Normal. Novelas precisam de protagonistas. E também de assassinatos. Só que, no caso de "Insensato", tudo é mais complexo.

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"Mas a Norma é do bem ou do mal?", perguntou ontem uma amiga pelo Twitter. Difícil explicar. Ela era do bem: uma enfermeira boazinha e infeliz (a mulher carente é uma personagem muito comum na trama das nove). Além de carente, era burra. E caiu no golpe do psicopata Léo e foi presa. Saiu da prisão disposta a se vingar. Ficou milionária. Se vingou. E depois se apaixonou de novo pelo psicopata (como?). Puro surrealismo. Mas é uma NOVELA. Não vamos esquecer esse detalhe que diz tudo.

Até aí, normal. Quem assiste a uma novela não espera coerência e está acostumado com enredos que envolvem prisões, mudanças de personalidade, pessoas que falam em línguas esquisitas, mágicas etc. A questão: boa parte do público começou a achar que toda mulher no fundo "é meio Norma".

"Ela mostra no espelho o que as mulheres são e não assumem", disse uma MULHER no Twitter. Espera. A própria moça se identifica com uma idiota que é sacaneada por um psicopata e depois volta para ele porque o amor é uma coisa louca. As revistas de fofoca logo começaram a fazer reportagens sobre mulheres que "também se vingaram".

"Ah, até parece que você não conhece uma mulher como a Norma", perguntou um amigo, em tom de desafio. Não, não conheço. Conheço seres humanos que se apaixonam por pessoas "erradas", caem fora, sofrem, voltam, separam. E isso vale para mulheres e homens.

O outro personagem da trama é o psicopata Léo, um monstro, capaz de matar, dar golpe, ser cruel. Até agora não vi ninguém dizer que todo homem "é meio Léo". O que seria de fato um absurdo, porque realmente os homens não são todos psicopatas, assassinos e mentirosos (Deus nos livre). Mas Norma, que também é assassina, carrega um pouco de todas as mulheres, dizem.

Somos mal amadas, vingativas, loucas e, acima de tudo, otárias. Prontas a cair no conto de um monstro várias vezes. Mais surreal que a novela (e a cena do assassinato, que mais pareceu comédia pastelão) é pensar que em 2011 muita gente ainda acha que as moças são parecidas com uma personagem tão absurda. Vamos mal.

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