Nina Lemos

Celebridades transformam "correção ecológica" em símbolo de status

Economizar água, usar sacolas recicláveis e só comer orgânicos. As bandeiras da ecologia estão na ordem do dia (e já faz um tempo) no mundo das celebridades.

Em Los Angeles, famosos se espremem em um carro apertado que solta pouca poluição, mas que virou objeto de status. Atrizes como Gwyneth Paltrow, a rainha da natureza, lançam linhas de produtos orgânicos. E Gisele Bündchen economiza tanta água que disse, em uma entrevista, que fazia xixi no banho.

Revelar tanta intimidade também deveria ser considerado "ecologicamente incorreto", já que não faz muito bem para o mundo. Mas não. Além de ser "ecológico" é preciso mostrar. Fazer bem para a natureza é o novo fazer caridade.

Na edição de uma revista semanal, Xuxa apresenta sua nova casa. Uma mansão e tanto, claro, que vem substituir a "casa rosada". Lembram? Pois ela agora mora em uma "casa ecologicamente correta", segundo a revista. Nada mais adequado aos tempos de hoje.

A tal casa é exposta com detalhes. E tem uma piscina gigante, 1.700 metros quadrados e, pasmem, uma escultura de Ganesh (aquele deus que a moça da música do Caetano tatuou na coxa) de uma tonelada.

Crédito: Estevam Avellar/TV Globo Xuxa
A apresentadora Xuxa, que apresentou sua casa "ecologicamente correta", mas com piscina gigante, a revista

Exibir esses tipos de valores também poderia ser considerado "ecologicamente incorreto". A casa só usa aparelhos de ar condicionado com ar ecológico. O mármore é industrializado. Tudo "dentro da nova lei que rege o mundo". Nada contra a ecologia. Muito pelo contrário.

Agora, que essa bandeira tem sido usada como marketing e símbolo de status por qualquer boa indústria de imagem que se preze é fato. Compramos roupa "ecologicamente correta", mas não sabemos como as trabalhadoras da fábrica que as produz são tratadas.

Admiramos o empenho "ecologicamente correto" dos famosos, mas também não conseguimos imaginar que tipo de ataque de estrelismo eles têm com aqueles que os estão servindo. E ser servido também não é muito "ecologicamente correto". Mas isso ainda vai levar muito tempo para os milionários (principalmente do Brasil) aprenderem.

Outro detalhe. Ser "ecologicamente" correto ainda custa muito caro. Então, você, que não tem dinheiro para construir em sua casa um "captador de água de chuva" ou um receptor de luz solar vai se sentir um maldito, que maltrata a natureza e é responsável pelo fim da água do mundo. Se o mundo acabar, a culpa vai ser sua. Quem mandou ser pobre?

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