Irmã de Woody Allen oferece retrato mais pessoal do cineasta

As reflexões do cineasta Woody Allen a respeito da existência humana, hipocondria, morte, judaísmo, sexo, jazz e esportes já preencheram inúmeros livros ou foram propagadas em incontáveis entrevistas em jornais, revistas ou na TV.

Uma delas, por exemplo, foi publicada ontem, domingo, pelo jornal "New York Times". Ao ser perguntado sobre como faria para alcançar a paz mundial (caso ele tivesse tempo!), Allen questiona: "A paz mundial é realmente possível ou a raça humana é tão intrinsecamente agressiva?

Você já viu mulheres numa ponta de estoque? E se a paz mundial fosse realmente viável, não existiriam mais nações para a gente odiar ou protestar contra elas. A gente teria que se contentar apenas em fazer isso com nossos cônjuges!"

Passando longe do humor e cinismo de Allen, a irmã do cineasta, Letty Aronson, ofereceu, também no domingo, um retrato mais cândido e pessoal do cineasta.

Em entrevista ao jornal "New York Post", Letty, 75, dez anos mais nova que o famoso irmão e que deixou a carreira de professora para produzir os últimos filmes dele, revela que Allen era um estudante universitário rebelde e preguiçoso e que os pais queriam que ele fosse farmacêutico ("essa uma profissão que daria dinheiro"). "Ele (Allen) era um estudante terrível", conta Letty. "Ele foi expulso da escola de cinema da NYU (Universidade de Nova York) --ele não frequentava as aulas, não fazia os deveres e muito em breve saiu de lá. Foi parar na New School e, acredito, que ou abandonou o curso, ou foi expulso".

Letty revela também que o cineasta gosta de manter a forma se exercitando todos os dias ("ele usa a esteira e também levanta peso") e comendo cuidadosamente. O cineasta também não é totalmente avesso aos gadgets. "Ele tem um iPhone", diz Letty. "Mas ele não manda e-mails. Ele o usa (o iPhone) como telefone ou para checar a previsão metereológica".

Embora mantenha contato com a maioria de suas ex-esposas e amantes ("Louise Lasser sempre passa o Dia de Ação de Graças com a gente e Diane Keaton está sempre em contato com Allen"), o cineasta não vê mais a atriz Mia Farrow, que o acusou de molestar a filha Dylan, depois que foi revelado seu romance com Soon-Yi Previn.

"Ela (Mia) encorajou os filhos a não gostarem de Allen e a não mais vê-lo. Ela mudou o nome do filho que teve com Allen, o Satchel, seis vezes. Eu não sei como ele se chama agora. Acho que isso é horrível", revela Letty. Sobre Soon-Yi, agora com 41 anos, Letty diz que o casamento continua dando certo, pois "eles gostam das mesmas coisas". O casal tem dois filhos, viajam muito e gostam de receber amigos para jantar.

Allen recentemente terminou, na Itália, as filmagens de seu próximo filme, Nero Fiddled, com elenco que inclui Roberto Benigni, Alec Baldwin, Penélope Cruz, Jesse Eisenberg e Ellen Page, entre outros.

Nesta quinta-feira, estreia na Broadway um novo espetáculo com assinatura do diretor: Relatively Speaking, uma comédia em três atos, estrelada por John Turturro e com os outros dois textos escritos pelos cineastas Elaine May e Ethan Coen.

Allen voltou a fazer as pazes com o sucesso este ano com o lançamento de Midnight em Paris, seu filme de maior bilheteria desde Hannah e Suas Irmãs, lançado em 1986. Mas Letty revela que questionou o potencial econômico do filme. "Quando li o roteiro, pensei: "quem é que vai ver esse filme? Praticamente ninguém nunca ouviu falar de Gertrude Stein!'", continua. "Allen sempre acaba fazendo o filme que quer e eu dou o maior apoio, mas pensei: "Oh meu Deus, as pessoas que estão investindo nesse filme..."

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