Cinema e Séries
Descrição de chapéu The New York Times Cinema

Em 'Superman e Lois', casal enfrenta problemas que vão de hipoteca a paternidade

Elizabeth Tulloch e Tyler Hoechlin falam sobre nova versão dos heróis

Cena da série "Superman e Lois" Divulgação

George Gene Gustines
The New York Times

Há um diálogo em “Superman e Lois”, que estreou recentemente na rede de televisão americana CW, que resume bem esse mais recente retrato de um super-romance lendário. Lois Lane (Elizabeth Tulloch) diz a Clark Kent (Tyler Hoechlin), o alter ego do Homem de Aço, que “ninguém sonha sobre problemas, mas todas as vidas os incluem –mesmo as vidas extraordinárias”.

A história de “Superman e Lois” começa mais de uma década depois do casamento entre Kent e Lane, e coloca o casal diante de dificuldades que os poderes do Super-Homem são inúteis para resolver: a perda de um ente querido, demissões no Planeta Diário, uma ameaça de execução de hipoteca sobre a fazenda da família Kent, onde Clark cresceu, em Smallville.

Lois e Clark também estão criando dois filhos adolescentes, um dos quais teve diagnosticado um caso de distúrbio de ansiedade social, e as exigências de sua vida como Super-Homem fazem de Kent um pai razoavelmente ausente. Com a puberdade chegam os superpoderes, para pelo menos um dos meninos, que até então não estavam informados sobre a vida dupla do pai como defensor da justiça. Será que uma mudança para Smallville ajudará a resolver os problemas da família?

“Superman e Lois” é a primeira série a se concentrar no casal desde “Lois e Clark – As Novas Aventuras do Superman”, que ficou em cartaz na rede ABC entre 1993 e 1997, mas Tulloch e Hoechlin já têm experiência em seus papéis. Eles os interpretaram em séries crossover como “Elseworlds” e “Crisis on Infinite Earths” –minisséries especiais que foram exibidas como parte de outras séries da DC Comics que estão em cartaz no canal CW, como “The Flash” e “Supergirl”.

Tulloch e Hoechlin responderam a perguntas sobre esse novo capítulo na vida do Super-Homem e Lane em uma entrevista conjunta por telefone. Abaixo, trechos editados da conversa.

O que vocês acham que os espectadores encontrarão de mais atrativo, na nova série?
Tulloch A série trata na verdade de uma família, e de uma família que está lidando com uma série de problemas parecidos com aqueles que as pessoas de todo o mundo enfrentam agora. O aspecto Super-Homem e Lois é secundário. É interessante ver personagens tão emblemáticos enfrentando dificuldades. Eles estão no pináculo de suas carreiras, mas, como pais de adolescentes, não deixam de dar seus tropeços.
Hoechlin Não é como se a cada semana eles tivessem todas as respostas para os problemas que surgem. Esse aspecto permite que os espectadores se coloquem no lugar deles.

Um tema bastante universal é a ideia de retornar às próprias raízes.
Hoechlin: Sou ator desde os nove anos; a ideia de lar sempre foi interessante para mim, porque eu salto de lugar a lugar o tempo todo. É sempre complicado, partir e retornar, quer tudo tenha mudado, quer não. Para Clark, ele vê Smallville, que foi tão importante em sua vida, como uma simples carcaça do que a cidade um dia foi.

Quais foram suas partes favoritas da série, até o momento?
Hoechlin No episódio piloto, as coisas não parecem estar indo muito bem. Há muitas dificuldades. Somos autorizados a testemunhar momentos íntimos como esses. Não foi uma oportunidade que tenhamos tido nos crossovers.
Tulloch Eu amo as cenas que envolvem essa dupla e casal tão emblemático. Mesmo quando eles discordam, existe respeito. Eles não chegam a um acordo quanto a contar ou não aos meninos sobre os poderes do Super-Homem. Ele insiste em sua posição, mas ela não permite que sua opinião seja ignorada.

Como é interpretar personagens tão emblemáticos?
Tulloch Eu adoro interpretar Lois. Há um motivo para que ela tenha perdurado da maneira que perdurou –ela personifica o lema “seja a mudança que você deseja ver no mundo”. Clark salva o mundo como Super-Homem, e Lois salva o mundo com suas palavras. Eu me diverti muito interpretando esse papel, especialmente o de mãe.
Hoechlin Eu cheguei ao papel depois de interpretá-lo duas vezes em “Supergirl”. É uma loucura ver aquilo em que ele se transformou. Gosto de ver Clark e Lois como casal casado, e acompanhando o crescimento de seus filhos. Tenho dois irmãos, e por isso conheço bem essa vida.

Algumas das interpretações passadas desses personagens influenciaram seu trabalho?
Hoechlin Eu nunca assisti a um filme de Super-Homem. Normalmente isso é algo que tenho medo de revelar, mas acho que é o certo a dizer. Não é porque eu não quisesse, mas, quando eu era criança, esse não era o tipo de filme a que eu assistia. Lembro-me de ter assistido a dois ou três episódios de “Lois e Clark” com minha mãe. E, ao trabalhar em “Supergirl”, eu preferi não assistir às demais versões do Super-Homem. Se meu instinto era fazer alguma coisa, eu não queria que isso fosse afetado por imitação ou pela necessidade de me diferenciar da versão criada por outro ator.
Tulloch A única Lois a que assisti foi a de Margot Kidder, que eu simplesmente adorei. Quando fui chamada para o papel, tomei a decisão, conscientemente, de não ver outras versões. Queria que minha Lois encontrasse seu lugar por conta própria.

Se vocês pudessem ter um superpoder, qual seria?
Hoechlin Eu sempre escolheria o poder de voar. Viajar é uma coisa que me fascina. Eu adoraria ver o mundo e ver como outros povos vivem, outras culturas. Se eu pudesse fazer isso sem pagar passagens aéreas...
Tulloch Eu também escolheria voar, porque amo viajar. Seria muito bom poder piscar os olhos e aparecer em Paris, piscar de novo os olhos e aparecer na Islândia. Creio que o poder de me teletransportar seria melhor. Se eu voasse com o Super-Homem, passaria frio lá em cima.
Hoechlin Mas poderia apreciar a paisagem! Não sei se o teletransporte oferece alguma paisagem.

Os fãs de quadrinhos podem ser muito entusiásticos, e o Super-Homem e Lois são dois dos personagens mais famosos dessa mídia. Vocês já passaram por algum encontro notável com fãs?
Hoechlin Meu favorito foi assim: eu estava em Nova York, falando ao telefone com meu agente. Um cara passou por mim, ele estava com fones de ouvido e carregava uma mochila. Aí ele me viu, e olhou na minha direção, e abriu a camisa com um arranco, como se fosse o Super-Homem. Ele me cumprimentou com um aceno, e eu respondi. Foi um grande momento.
Tulloch As pessoas ainda me reconhecem mais pelo meu papel em “Grimm”, mas, três dias antes que “Elseworlds” fosse exibida, eu fui à Wales Comic Con. O episódio em que interpretei Lois nem tinha ido ao ar ainda, mas eu já estava autografando muitas fotos como Lois Lane. Meninas pequenas me diziam que queriam ser jornalistas por causa de Lois Lane.

Final do conteúdo

Comentários

Ver todos os comentários Comentar esta reportagem