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Tumor mamário em cachorras é frequente, mas diagnóstico precoce é essencial para bem-estar do animal

Paula Rubia De Lucca, 41, com Mel, que teve tumor mamário
Paula Rubia De Lucca, 41, com Mel, que teve tumor mamário - Andrea Felizolla-1°.nov.2017/Folhapress


Foi durante um banho, em um pet shop, que a cachorra maltês Mel teve descoberto um caroço na cadeia mamária. Ao ser informada por funcionárias do estabelecimento sobre o nódulo, a médica Paula Rubia De Lucca, 41, dona da cachorrinha, logo buscou a ajuda de veterinários.

Posteriormente, ela recebeu o diagnóstico que mais temia: era um tumor maligno. "Passei por momentos bem difíceis com a descoberta desse câncer de mama", recorda-se. Segundo especialistas da área, tumores mamários são bem frequentes em fêmeas, especialmente nas que já estão na meia-idade ou que são idosas como Mel, que tem dez anos.

"Estudos indicam que o tumor mamário é o que mais atinge as cachorras", diz a veterinária Carla Storino Bernardes, da Cobasi, rede especializada em produtos e atendimento a animais. Nos machos, a incidência é muito menor.

A profissional acrescenta que a maior parte dos casos é do tipo maligno. Herança genética e ação dos hormônios reprodutores são algumas das principais causas para o surgimento da doença. Por isso, a castração é uma maneira de evitá-la. "Embora a medida não acabe completamente com os riscos de o tumor se desenvolver, o procedimento é a melhor forma de prevenção, já que diminui consideravelmente as chances de complicações na saúde ao longo da vida das fêmeas", explica a veterinária Karina Mussolino, gerente-técnica de clínicas do centro veterinário Petz.

Isso foi o que mais surpreendeu Paula Rubia, afinal, Mel, sua cachorra, já tinha sido submetida à castração muito tempo antes do diagnóstico do tumor. "Foi só quando começamos a investigar o nódulo que descobrimos que restava um ovário desse procedimento", diz.

O tratamento indicado para a maltês foi a mastectomia (retirada da cadeia mamária) e também a remoção do ovário remanescente, a fim de evitar o reaparecimento da doença. "Felizmente, deu tudo certo e já sabemos que não há metástase, porque pegamos a doença logo no início. Ela só vai ter de fazer, em breve, a retirada da cadeia mamária do outro lado também, porque, inicialmente, ela só fez onde estava o nódulo."

TRATAMENTO

Assim como no caso de Mel, os veterinários destacam a importância do diagnóstico precoce para o sucesso do tratamento. "O exame clínico e físico deve sempre fazer parte da vida e da rotina do animal, pois é por meio da palpação das mamas que podemos observar a presença do nódulo e tomar as devidas providências", orienta a veterinária Dayse Zulian.

Ela acrescenta que, em sua fase inicial, o tumor não costuma apresentar sintomas. "Em uma fase mais avançada, ele pode gerar desconforto, dor e sangramento", informa. São recomendadas visitas semestrais ao veterinário e, quando o problema é detectado, a indicação dos profissionais é que seja feita a retirada de toda a cadeia mamária.

O nódulo, então, deve ser encaminhado para a biópsia, que vai dizer se o tumor é maligno ou benigno. A partir daí, podem ser necessários outros tratamentos, como a quimioterapia.




SAIBA MAIS

Grupo atingido Cachorras mais velhas, em grande parte; casos em machos são raros. A maior parte dos tumores é maligno

Prevenção Manter em dia a rotina de consultas ao veterinário (a cada seis meses) e os exames clínicos e físicos Castrar o animal reduz riscos da doença, ligada aos hormônios reprodutores

Sintomas Caroço, inchaço ou dor na região das mamas; secreção com odor desagradável e feridas; falta de apetite; vômito e apatia

Tratamento A mastectomia (retirada da cadeia mamária) é o primeiro passo; o nódulo extraído é encaminhado para exame, e o veterinário avalia a necessidade de quimioterapia ou radioterapia, entre outros procedimentos.

Fontes: Carla Storino Bernardes, veterinária da Cobasi; Dayse Zulian, veterinária; e Karina Mussolino, veterinária e gerente técnica de clínicas da Petz


A reportagem foi publicada na "Revista da Hora", do jornal "Agora".

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