Diversão

O ato final de David Bowie

'Lazarus' é inspirado na história do alienígena vivido por Bowie em filme

Jesuíta Barbosa em cena do musical "Lazarus" - Flavia Canavarro/Divulgação
São Paulo

Eu nunca fui fã de David Bowie, sempre gostei muito mais de Rolling Stones e nunca parei para compreender a obra daquele artista versátil, apesar de ter tido a curiosidade de visitar a mega exposição a ele dedicada aqui na capital, em 2014.

Mas fiquei estranhamente devastada naquele 10 de janeiro de 2016, quando ouvi no noticiário que o Camaleão do Rock havia morrido, aos 69 anos, vítima de câncer de fígado.Virei um clichê ambulante e fiquei obcecada pela obra de Bowie após a sua morte. Que gênio!

Em especial me chamou a atenção o álbum “Black Star”, seu ato final. O disco foi lançado dois dias antes de sua morte. Até então, o público não sabia que o britânico estava gravemente doente. Aquele era seu presente de despedida para os fãs.

“Lazarus”, uma das faixas que virou hit, é densa, triste e melancólica. Era para ser um epitáfio, um comentário sobre a morte iminente de Bowie, que sabia não viveria muito mais. Lázaro é o personagem da Bíblia que foi ressuscitado por Jesus Cristo. Bowie criou esse personagem.

“Lazarus”, quando já sabia que ia morrer. Ele pensava em cada detalhe da criação. Em dezembro de 2015, a música virou peça de teatro na Off-Broadway, em Nova York, escrita por Bowie e pelo dramaturgo irlandês Enda Walsh, e está em cartaz na capital, sem tradução das letras das músicas, com o ator Jesuíta Barbosa, ótimo no papel do Camaleão, e direção de Felipe Hirsch, fã de Bowie. 

O espetáculo está cheio de referências a vários períodos da carreira do Bowie, mas o texto é inspirado no romance “O Homem que Caiu na Terra”, que deu origem a um filme estrelado por Bowie em 1976 e parte da história de Thomas Jerome Newton, um alienígena humanoide (que na verdade é uma alusão a um imigrante) que viaja para a Terra para salvar seu planeta, mas sucumbe ao alcoolismo. 

Para entender melhor o musical (é preciso ser iniciado para compreender as nuances deixadas pelo músico), pedi ajuda à minha amiga Juliana Peixoto, fã incondicional de Bowie (ela fez uma tatuagem da estrela negra que representa o álbum).

Juliana diz que Bowie deve ter sido escolhido para o papel de Thomas pela semelhança do protagonista do livro a um dos mais famosos personagens do artista, Ziggy Startust, de 1972, na época em que o artista já trabalhava a imagem andrógina e alienígena.

Durante as cenas do espetáculo ‘Lazarus’, 18 canções icônicas do artista são (re)apresentadas, como “Life on Mars” (a minha favorita dele) e “Heroes”. O figurino chama a atenção, é  inspirado por Bowie e dá um tom de autenticidade, nada óbvio.

O palco é dinâmico e tecnológico, cheio de informações, pensamentos (algumas frases aparecem escritas no palco), imagens e com som espacial. É como assistir à peça dentro de uma tela que as vezes passa umas legendas. Outros artistas também interpretam clássicos do homem que caiu nesta Terra para deixar um legado inspirador e admirável.

Lazarus

Avaliação:
  • Quando: De quinta a sábado, às 21h; e domingo, às 18h; Até 27/10
  • Onde: Teatro Unimed (edifício Santos Augusta - alameda Santos, 2.159, 1º andar - Jardim Paulista)
  • Preço: De R$ 80 a R$ 180 (aceita meia-entrada)
  • Classificação: 16 anos
  • Capacidade: 246 lugares

Agora