Tony Goes

A Netflix errou em cancelar 'Sense8'?

Miguel Angel Silvestre em cena da série "Sense8" gravada na Parada Gay de São Paulo
Miguel Angel Silvestre em cena da série "Sense8" gravada na Parada Gay de São Paulo - Murray Close-29.mai.2016/Netflix


Antigamente, quando uma série acabava, os fãs tinham que se contentar com as reprises, os DVDs e, muito raramente, um especial que reunia o mesmo elenco anos depois.

 Isso foi antes das redes sociais adquirirem a força que têm hoje. Agora são frequentes as campanhas na internet pedindo o “descancelamento” deste ou daquele programa.

 Às vezes dá certo. “Cougar Town”  e “Scrubs”, entre outras, foram séries que trocaram de canal e ganharam sobrevida. “Will & Grace” terá uma nova temporada no final do ano na rede americana NBC, seu lar original, mais de uma década depois de encerrada. E a Netflix se especializou em ressuscitar seriados cult, como “Arrested Development” ou “Gilmore Girls”.

 Por isto, é até irônico que o maior serviço de streaming do mundo se veja agora no papel de vilão. Internautas de todo o planeta estão esperneando contra o cancelamento de “Sense8”, menos de um mês depois da estreia da segunda temporada.

 A Netflix não divulga seus números de audiência. Mas dá para desconfiar que o baixo interesse dos espectadores vitimou séries originais da plataforma como “Marco Polo”, “Bloodline” e “The Get Down”, que morreram sem choro nem vela.


 Não é o que está acontecendo com “Sense8”. Apesar de sofrer nas mãos dos críticos, que reclamavam de suas tramas confusas, a primeira incursão na TV das irmãs transexuais Lisa e Lana Wachowski (responsáveis, entre outras coisas, pela franquia “Matrix” no cinema) tinha um fã-clube considerável, como está mais que patente agora.

 Mas, então, o que foi que provocou seu final abrupto? É bem provável que tenham sido os custos de produção. Ao longo de suas duas temporadas, “Sense8” rodou cenas em 13 países diferentes (inclusive uma sequência memorável na Parada Gay de São Paulo). O elenco numeroso, as dificuldades logísticas, tudo isto deve ter pesado na decisão.

 E, mesmo assim, ela parece equivocada. Afinal, a Netflix disponibiliza toda semana algum conteúdo exclusivo que não causa maior impacto, como as séries “Santa Clarita Diet” ou “Frontier”. Um produto como “Sense8”, que se tornou um fenômeno global, é valioso demais para ser descartado. Mesmo deficitário, ele ajuda o serviço a criar identidade própria.

 Nada impede que a Netflix volte atrás, ou que “Sense8” encontre um novo lugar. A reação da internet deve estar impressionando executivos de TV pelo mundo afora. Mas será que a conta fecha? 

Por enquanto, sem telepatia não dá para saber.


Tony Goes

Tony Goes tem 56 anos. Nasceu no Rio de Janeiro, mas vive em São Paulo desde pequeno. Já escreveu para várias séries de humor e programas de variedades, além de alguns longas-metragens. E atualiza diariamente o blog que leva seu nome: tonygoes.blogspot.com

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