Tony Goes

Depois de uma temporada irregular, o 'BBB17' teve um final morno

A 17a. edição do "Big Brother Brasil" (Globo) terminou nesta quinta-feira (13) da maneira habitual. Muitos números musicais, muitas lágrimas de emoção e zero suspense. Quem acompanhou as enquetes feitas na web já sabia que Emilly sairia vencedora.

No entanto, algo estranho aconteceu. Mesmo tendo sido a favorita desde a primeira hora, mesmo tendo batido com folga as outras duas finalistas, Emilly não saiu da casa mais vigiada do Brasil com o viço de campeã. A plateia presente ao estúdio gritava o nome da segunda colocada: "Vivian! Vivian!"

Claro que os acontecimentos da última semana ofuscaram o brilho dessa vitória. Emilly estava no epicentro da polêmica pela qual o "BBB 17" será lembrado: a agressão física e moral que ela sofreu de seu namorado Marcos, que acabou sendo expulso da competição.

Mesmo machucada, Emilly reagiu como milhões de outras mulheres que sofrem nas mãos dos homens: perdoou, não delatou, chorou quando seu algoz foi afastado. Ainda assim, Marcos se manteve bem longe dela durante as comemorações finais, como se Emilly fosse a culpada por sua derrocada.

De certa forma, o encerramento anticlimático foi coerente com esta temporada, a primeira sob o comando de Tiago Leifert. Que tinha uma tarefa hercúlea: substituir Pedro Bial, à frente do programa de 2002 a 2016.

Emilly, a vencedora do 'BBB17'
Emilly, a vencedora do 'BBB17' - AG NEWS

Bial, uma geração mais velho do que a maioria dos participantes, era o tiozão que controlava o circo. Seus discursos de eliminação, por estapafúrdios que fossem, eram uma das marcas do programa. Sem ele, o "BBB" é outra coisa.

Melhor ou pior? Eis a questão. Leifert trouxe um frescor e um envolvimento nas disputas que seu antecessor não tinha. Da mesma faixa etária que a média dos brothers, talvez não dispusesse da mesma autoridade de Bial. Mas a empatia lhe vinha mais fácil.

O escândalo na reta final foi uma prova de fogo, da qual ninguém se saiu bem. Mas Leifert é esperto e deve ter aprendido muito com o episódio. O que não pode é perder a espontaneidade, sua maior força desde o "Globo Esporte".

Ieda, Emilly e Vivian, as finalistas do 'BBB17'
Ieda, Emilly e Vivian, as finalistas do 'BBB17' - Globo/Paulo Belote

Pelo menos o marasmo que contaminou esta temporada foi varrido para longe no último fim de semana. A seleção de elenco do "BBB" é sempre muito criticada, e dessa vez não foi diferente. Apesar da presença de jogadoras pouco usuais, como a atleta paralímpica Marinalva ou a beldade septuagenária Ieda, a sensação de mesmice foi inevitável.

Há quase duas décadas no ar, talvez o "Big Brother" precise de uma reinvenção mais profunda do que uma simples troca de cenário ou mesmo de apresentador. Um programa que se pretende um reflexo da sociedade (um evidente exagero, mas vá lá) não pode repercutir para além de seu público cativo só quando se torna um caso de polícia. Vamos ver o que muda no "BBB 18".


Tony Goes

tem 54 anos. Nasceu no Rio de Janeiro, mas vive em São Paulo desde pequeno. Já escreveu para várias séries de humor e programas de variedades, além de alguns longas-metragens. E atualiza diariamente o blog que leva seu nome: tonygoes.blogspot.com

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