Tony Goes

'La La Land' triunfou, mas o Globo de Ouro foi de Meryl Streep

Foi espetacular. Inspirado na primeira cena de "La La Land", o vídeo de abertura do Globo de Ouro reuniu alguns dos maiores nomes do cinema e da TV em um suposto engarrafamento às portas da premiação.

Muito bem produzido, transitando entre a paródia e a homenagem, o clipe comandado por Jimmy Fallon deu a entender que o apresentador teria sido a escolha correta para conduzir a noite mais irreverente de Hollywood.

Só que não. Fallon "flopou" logo na sequência, ao entrar ao vivo no placo do Beverly Hills Hotel. Suas primeiras piadas não foram sobre as estrelas presentes no salão, mas sobre a pane do teleprompter onde deveria estar seu texto. Sem o apoio da tecnologia, o anfitrião do "Tonight Show" perdeu o rebolado e a graça.

Nem suas tiradas contra Donald Trump conseguiram atrair muitas risadas. Talvez a plateia ultraliberal ainda não tenha perdoado Fallon, que recebeu o então candidato republicano em seu programa em outubro, pouco antes da eleição americana, e o tratou como uma celebridade inofensiva.

Jimmy Fallon rompeu a tradição dos apresentadores venenosos no Globo de Ouro, honrada nos últimos anos por Ricky Gervais e pela dupla Tina Fey e Amy Poehler. O resultado foi uma noite quase chocha, que só vai entrar para a história por causa do discurso de Meryl Streep.

Homenageada pelo conjunto da obra com o troféu Cecil B. DeMille, a atriz mais premiada de todos os tempos lembrou que Hollywood é uma terra de forasteiros, onde todo mundo veio de longe. Também manifestou sua revolta com a maneira como Trump, ainda em campanha, ridicularizou um repórter com deficiência física, sem jamais citar o nome do presidente eleito.

Foi o bastante para ser ainda mais ovacionada. Suas palavras também viralizaram, e Meryl Streep foi alçada a um patamar ainda mais alto (como se isto fosse possível).

Pior sorte teve Tom Hiddleston, escolhido como melhor ator de minissérie de TV por "The Night Manager". Em seu agradecimento, o cara contou como, durante uma viagem humanitária ao Sudão do Sul —um país africano em perene guerra civil— um grupo de médicos o abordou para dizer como tinha gostado de sua série.

Hiddleston queria prestar tributo ao poder do entretenimento, mas acabou soando oco e vaidoso. As redes sociais não perdoaram: ele logo foi elogiado pela "coragem" de estrelar uma obra exibida em zonas de conflito.

Esse deslize foi ofuscado pelo triunfo de "La La Land", que venceu em todas as sete categorias a que foi indicado, um recorde absoluto. O musical, que estreia no Brasil em 19 de janeiro, consolida assim seu favoritismo ao Oscar.

Se faltaram alfinetadas, pelo menos os resultados desse Globo de Ouro foram bastante justos. Especialmente, na minha humilde opinião, a vitória da divina Isabelle Huppert como melhor atriz de filme dramático por "Elle".

Mas tomara que no ano que vem a Associação da Imprensa Estrangeira, que promove o prêmio, chame alguém mais ácido para comandar sua festa. Aposto que vamos estar precisando ainda mais do que hoje.


Tony Goes

Tony Goes tem 56 anos. Nasceu no Rio de Janeiro, mas vive em São Paulo desde pequeno. Já escreveu para várias séries de humor e programas de variedades, além de alguns longas-metragens. E atualiza diariamente o blog que leva seu nome: tonygoes.blogspot.com

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