Tony Goes

Indicações ao Globo de Ouro vieram cheias de surpresas; Brasil ficou de fora

Eu já estava com o texto engatilhado: Erramos. "Deveríamos ter mandado 'Aquarius' para o Oscar. O filme de Kléber Mendonça Filho acabou de ser indicado ao Globo de Ouro, num sinal claro de que teria boas chances na Academia..."

Só que não. "Aquarius" acabou ficando de fora dos cinco indicados ao Globo de Ouro de melhor filme em língua estrangeira, uma categoria onde não dependia de uma inscrição feita pelo ministério da Cultura. Bastava ser inscrito por seus próprios produtores, o que de fato aconteceu.

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"Aquarius" até que estava bem cotado pelos sites especializados em previsões, depois de ser indicado ao prêmio Spirit (o Oscar dos filmes independentes) e incluído em muitas listas de melhores do ano.

Também existia a possibilidade de Sonia Braga emplacar uma nomeação na categoria de melhor atriz em filme dramático. Afinal, ela é querida pela Associação da Imprensa Estrangeira de Hollywood, a entidade responsável pelo Globo de Ouro. Já foi indicada três outras vezes, apesar de nunca ter levado a estatueta.

Correndo por fora estava Wagner Moura, como ator de série de TV por "Narcos" (Netflix). Indicado nessa categoria no ano passado, desta vez ele foi solenemente ignorado. Com justiça, acho eu: seu desempenho na segunda temporada esteve muito aquém do da primeira, e seu sotaque em espanhol conseguiu piorar.

Não foi só o Brasil que não foi convidado para a festa de entrega do prêmio, que acontece em 8 de janeiro. Muitos filmes pesos-pesados que estavam bem nas apostas também saíram de mãos abanando. O caso mais chocante é o de "Silence", uma superprodução de Martin Scorsese sobre missionários portugueses no Japão do século XVII que teve zero indicações.

Também é óbvio que, se alguns favoritos foram esnobados, outros nem tanto tomaram seus lugares. "Até o Último Homem", que marca o retorno do polêmico Mel Gibson à direção, foi lembrado para melhor filme dramático e melhor diretor. "Animais Noturnos", o segundo longa dirigido pelo estilista Tom Ford, emplacou nos páreos de diretor, roteiro e ator coadjuvante.

O Globo de Ouro também premia os melhores do ano na televisão. Nessa área, as surpresas vieram em menor quantidade. Séries queridas da galera, como "Game of Thrones" (HBO) ou "Stranger Things" (Netflix), foram devidamente indicadas aos principais prêmios.

Mas polêmica mesmo costuma ser a cerimônia de entrega, na qual não faltam babado e confusão. A de 2017 será comandada pelo apresentador Jimmy  Fallon, que substitui a dupla Tina Fey e Amy  Poehler e o boquirroto Ricky  Gervais. Se Fallon se comportar bem e não ofender ninguém da plateia, aí sim, teremos uma controvérsia e tanto.


Tony Goes

tem 54 anos. Nasceu no Rio de Janeiro, mas vive em São Paulo desde pequeno. Já escreveu para várias séries de humor e programas de variedades, além de alguns longas-metragens. E atualiza diariamente o blog que leva seu nome: tonygoes.blogspot.com

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