Tony Goes

Estreia de 'A Lei do Amor' foca romance, mas também ecoa a política

Das últimas dez novelas que ocuparam a faixa das 21h na Globo, nada menos do que sete tiveram uma primeira fase. O recurso, que serve para explicar a origem dos conflitos que afligem os personagens no presente, nem sempre dá certo. Os atores às vezes mudam de uma etapa para a outra, o que causa estranheza no público. E o cuidado maior que a produção costuma dedicar a estes primeiros capítulos nem sempre se mantém depois.

Por isto, ainda não dá para ter uma ideia clara de como vai ser "A Lei do Amor", que estreou nesta segunda-feira (3). A trama de Maria Adelaide Amaral e Vincent Villari ganhou uma primeira fase de cinco capítulos que não estava prevista na sinopse original.

Programada inicialmente para entrar no ar em março, a novela foi adiada em mais de seis meses, para dar espaço a "Velho Chico". A justificativa da emissora foi a de que a "A Lei do Amor" fala muito de política, o que poderia gerar problemas se fosse exibida simultaneamente com o horário eleitoral.


Como a estreia foi marcada para o dia seguinte ao primeiro turno das eleições municipais, os autores optaram por uma primeira fase para focar o começo do romance entre os jovens protagonistas e não parecer que estavam comentando os acontecimentos políticos.

Não adiantou muito. A vingança que Jorge (Daniel Ribeiro) planeja contra o poderoso industrial Fausto Leitão (Tarcísio Meira), que o demitiu, ecoa o crime ocorrido em Itumbiara (GO) na semana passada, quando um ex-funcionário da prefeitura cometeu um atentado que resultou na morte de três pessoas — inclusive na de um candidato à reeleição e na dele mesmo. A cena mostrada pela ficção foi bem diferente, mas a lembrança foi inevitável.

Mesmo assim, o assunto principal do capítulo de estreia foi o primeiro contato entre Helô (Isabelle Drummond) e Pedro (Chay Suede, que está se tornando um veterano de primeiras fases). O romance entre os dois é o mais básico de todo o universo do folhetim: ele é rico, e ela é pobre, e, para completar, as famílias se odeiam. Por isto mesmo, palmas para os autores e a diretora-geral Denise Saraceni, que conseguiram injetar frescor nessa história manjadíssima.

Outros núcleos da trama também foram apresentados, com uma bem-dosada didática que não chegou a pesar. O destaque ficou, como era de se esperar, para Vera Holtz, que faz a vilã Magnólia, segunda mulher de Fausto. Outro personagem-clichê do gênero (se fosse uma novela mexicana, ela se chamaria Lucrécia), mas bem defendido por um texto sutil e uma atriz de enorme quilate.

Vera e Tarcísio continuam na segunda fase. Quase todo o elenco será trocado: o casal Helô e Pedro passará a ser interpretado por Cláudia Abreu e Reynaldo Gianecchini. Aí, sim, "A Lei do Amor" irá de fato começar e permitir uma melhor avaliação. Mas a estreia já faz suspeitar que vem aí uma novela sem pirotecnia nem grandes inovações, mas um plot clássico com leves toques de modernidade.

A LEI DO AMOR

QUANDO de seg. a sáb., 21h, na Globo

AVALIAÇÃO bom 

Tony Goes

tem 54 anos. Nasceu no Rio de Janeiro, mas vive em São Paulo desde pequeno. Já escreveu para várias séries de humor e programas de variedades, além de alguns longas-metragens. E atualiza diariamente o blog que leva seu nome: tonygoes.blogspot.com

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