Tony Goes

Boni é uma escolha ousada para a pasta da Cultura de SP

Dessa vez, a internet não se dividiu em relação a um assunto. Até quem votou em João Doria para prefeito de São Paulo ficou pasmo com o convite que ele fez a Boni, o ex-todo poderoso da Globo, para assumir a secretaria de Cultura paulistana.

Críticas e piadas pulularam nas redes sociais. Boni transformaria a Virada Cultural num imenso "Criança Esperanç"a. Os porões do Theatro Municipal se transformariam em adegas para sua coleção de vinhos. Outros secretariáveis seriam Dr. Rey (Saúde) e Luciano Huck (Habitação).

Pois eu já acho que esta indicação deve ser levada a sério (também gostaria de esclarecer que não votei em Doria). E isto apesar de Boni jamais ter exercido cargo público nem demonstrado qualquer apetite pela política.

Também faz tempo que ele administrou um orçamento tão apertado quanto o que o espera na pasta da Cultura. Boni ajudou a construir a Globo e depois comandou a emissora em tempos de vacas gordíssimas.

Reza a lenda que, certa vez, mandou regravar uma complicada cena de festa para uma novela, com dezenas de figurantes, só porque não havia gostado de um arranjo de flores.

Há outro complicador: nascido em Osasco, Boni mora há décadas no Rio. Ele mesmo admite que a mudança para São Paulo não seria fácil. Por outro lado, já tem um apartamento na cidade, que conhece bem.

Ele se disse fascinado pelas ideias de Doria. E eu acho fascinante a possibilidade de ter o homem mais importante da história da TV brasileira como secretário da Cultura da nossa maior cidade.

Ao lado de Walter Clark e alguns outros, Boni realizou uma façanha e tanto: no começo dos anos 1970, levou a Globo ao primeiro lugar de audiência em quase todos os horários, ao mesmo tempo em que subia a qualidade da programação.

Claro que houve muitos fatores que contribuíram para isso: a fragilidade da concorrência, o milagre econômico, o apoio dos governos militares. Mas esta conquista foi tão sólida que a Globo se mantém na liderança até hoje, quase 20 anos depois de Boni ter deixado a emissora.

É exatamente o que eu gostaria de vê-lo fazer em São Paulo: ampliar o acesso da população à cultura, sem abrir mão da qualidade. Talento para isto Boni já mostrou que tem. Resta saber se terá condições, inclusive pessoais, de encarar tal desafio.


Tony Goes

Tony Goes tem 56 anos. Nasceu no Rio de Janeiro, mas vive em São Paulo desde pequeno. Já escreveu para várias séries de humor e programas de variedades, além de alguns longas-metragens. E atualiza diariamente o blog que leva seu nome: tonygoes.blogspot.com

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