Tony Goes

Festa de encerramento da Olimpíada foi pobrinha, mas emocionou

O mundo se surpreendeu e o Brasil respirou aliviado com a cerimônia de abertura da Rio-2016. O desastre anunciado não se materializou, pelo contrário. O espetáculo organizado por Fernando Meirelles, Daniela Thomas, Andrucha Waddington e Deborah Colker foi extasiante, e custou bem menos que o da Londres-2012.

Ainda bem que as expectativas não eram altas para a festa de encerramento da nossa Olimpíada. Porque o show exibido neste domingo (21), se não chegou a decepcionar, também não foi de entrar para a história.

A carnavalesca Rosa Magalhães gastou cerca de R$ 4 milhões, o mesmo que custa o desfile de uma escola de samba do Grupo Especial. Mas o que se viu no Maracanã ficou aquém do que costuma nos deslumbrar na Marquês de Sapucaí.

Talvez por desacostumada a usar um espaço tão amplo, Rosa deixou vazios incômodos no gramado do estádio. Também não resistiu aos clichês, tão galhardamente evitados na abertura: lá pelas tantas, por exemplo, surgiu Carmen Miranda, a caricatura-símbolo da brasilidade para turistas.

O roteiro também pareceu mal-ajambrado. Os números foram intercalados por desfile das delegações, discursos de dirigentes, burocracias diversas. O ritmo nunca pegou o pique que a abertura conseguiu.

E por que tivemos Santos Dumont novamente? Parece que as duas equipes criativas jamais se falaram. E as fantasias de hortaliças, tão convencionais em sua suposta porralouquice?

No meio de tantos lugares comuns, a intervenção japonesa ficou ainda mais ousada. O primeiro-ministro Shinzo Abe teve o atrevimento de emergir no palco caracterizado como o Super Mario dos videogames, uma brincadeira impensável para os nossos acovardados mandatários. E o que eram aquelas projeções, que pareciam ser em 7-D?

Se nos faltou a tecnologia que certamente irá dominar a Tóquio-2020, nos sobrou emoção. O apagamento da pira olímpica por uma chuva artificial —justo num dia em que choveu para valer— foi até singelo, mas no ponto.

E o final da festa foi mesmo apoteótico. Carros alegóricos, porta-bandeiras, passistas, toda a fuzarca do carnaval tomou conta do estádio, contagiando atletas, voluntários e público.

A transmissão pela TV deu a sensação de que a festa não acabou até agora. Terminados os discursos de agradecimento, queimados os fogos, subidos os créditos, a música continuava tocando e o povo seguia dançando.

Que bom se a Rio-2016 não terminasse jamais.

Tony Goes

tem 54 anos. Nasceu no Rio de Janeiro, mas vive em São Paulo desde pequeno. Já escreveu para várias séries de humor e programas de variedades, além de alguns longas-metragens. E atualiza diariamente o blog que leva seu nome: tonygoes.blogspot.com

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