Tony Goes

Dramas da Olimpíada atraem até quem não liga para esporte

Sou do tipo que não dá a menor pelota para a bola. Acho mais divertido ver tinta secar do que assistir a uma regata. Cheguei a dizer que não há o menor valor intrínseco em correr 100 m rasos abaixo de dez segundos.

Isto foi antes da Rio-2016. Agora, a poucos dias do encerramento dos Jogos, eu simplesmente não quero mais que eles acabem.

Porque, no meio de tanta medalha, o que não falta é drama. O bom e velho drama humano, que nos faz chegar atrasados no trabalho porque ficamos vendo o desenrolar de uma competição como se fosse um capítulo de novela.

Tem tragédia, como a do francês Renaud Lavillenie. Apesar de todas as declarações polêmicas que o cara soltou depois de ser derrotado pelo brasileiro Thiago Braz no salto com vara, foi difícil não se comover com suas lágrimas no pódio, humilhado por uma avalanche de vaias. Deve ter sido a medalha de prata mais triste da história.

Tem comédia, como o imbróglio onde se meteram o nadador americano Ryan Lochte e seus comparsas. A narrativa do assalto que ele teria sofrido na madrugada de domingo (14), mais furada do que um alvo de tiro esportivo, caiu por terra e virou um vexame em escala global. Poderia até render um filme: "Se Beber, Não Minta".

Tem momentos absolutamente comoventes, como as corredoras Abbey D'Agostino (EUA) e Nikki  Hamblin (Nova Zelândia), uma amparando a outra depois de caírem durante uma das eliminatórias dos 5.000 m feminino. Espírito olímpico é isso aí, não os comerciais dos patrocinadores dos Jogos.

Tem intriga, ressentimento e vingancinha: juro que eu estou me divertindo com o fuzuê que acometeu a equipe brasileira de hipismo depois de amargar o quinto lugar na prova de salto, com o preterido Rodrigo Pessoa deixando escapar um "bem feito, não me chamaram, nhénhénhé" nas entrelinhas.

Também teve um levantador de peso armênio dobrando o cotovelo para o lado errado (ai), uma nadadora chinesa quebrando tabus ao admitir que nadou menstruada e até o pequeno arquipélago de Fiji, no Pacífico, decretando quatro dias de feriado nacional porque ganhou o ouro no rúgbi de sete. Viciei, quero mais.

Pois bem. No sábado (20), tem a final do futebol masculino entre ninguém menos que Brasil e Alemanha. A chance de uma revanche épica, ou a confirmação de um vexame eterno? Haja coração!

Tony Goes

tem 54 anos. Nasceu no Rio de Janeiro, mas vive em São Paulo desde pequeno. Já escreveu para várias séries de humor e programas de variedades, além de alguns longas-metragens. E atualiza diariamente o blog que leva seu nome: tonygoes.blogspot.com

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