Tony Goes

Pokémon Go ainda nem chegou ao Brasil, mas já é um fenômeno por aqui

A internet nos conectou de tal forma ao resto do mundo que algo nem precisa mais acontecer de verdade para se tornar febre entre os brasileiros. O exemplo da hora é o Pokémon Go.

O joguinho de realidade virtual foi lançado no começo deste mês nos Estados Unidos, na Austrália e na Nova Zelândia. Ao longo do mês, espalhou-se pela Europa. Na sexta-feira (22), finalmente chegou ao Japão e a outros países asiáticos.

E por aqui? No dia 11 de julho, o aplicativo esteve disponível para os brasileiros por algumas horas, mas depois desapareceu. Chegou-se a anunciar que ele estaria definitivamente liberado no Brasil a partir da madrugada de quinta (21), mas nada aconteceu. E ainda não há uma nova data agendada.

Isto não diminuiu o fervor dos nossos internautas. Pelo contrário: já existe uma página “oficial” do Pokémon Go no Brasil, além de fanpage no Facebook, comunidades virtuais e até mesmo um verbete detalhadíssimo na Wikipedia em português.

Todos frequentados por gente que não vê a hora de cancelar o resto de suas vidas para sair caçando monstrinhos por aí.

O prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), chegou a fazer um apelo para que o Pokémon Go aterrissasse na cidade a tempo da Olimpíada.

É bastante provável que isto aconteça: o ritmo de expansão do jogo está acelerado, e é difícil imaginar que um evento do porte dos Jogos fique de fora da nova mania mundial. Mas alguns países vão ficar.

Clérigos da Arábia Saudita já emitiram uma “fatwa” proibindo os fiéis de jogar Pokémon Go — como, aliás, qualquer outro jogo, algo impensável para os fundamentalistas islâmicos.

Enquanto o aplicativo não desembarca de vez por aqui, parte das redes sociais parece congelada no tempo.

Ninguém tem outro assunto: só se comenta o crescente número de celebridades que aderiu à brincadeira, os acidentes que ela já vem provocando e a angústia de ainda não poder jogar.

Ninguém fala da invasão de privacidade cometida pela Nintendo, que exige uma enxurrada de dados e até mesmo acesso aos e-mails dos usuários de sua criação. Já tem críticos reclamando que o Pokémon Go é um cavalo de Troia: um instrumento de vigilância e controle disfarçado de game.

Mas não no Brasil.

Aqui estamos nos sentindo barrados no baile, enquanto boa parte do mundo se diverte.

O que falta para sermos reconhecidos como uma nação maior de idade?

Apesar do 7 a 1, realizamos uma Copa do Mundo bem organizada em 2014. Esta semana capturamos nosso primeiro grupelho de terroristas potenciais. Gisele Bündchen é brasileira.

Queremos Pokémon Go agora!


Tony Goes

Tony Goes tem 56 anos. Nasceu no Rio de Janeiro, mas vive em São Paulo desde pequeno. Já escreveu para várias séries de humor e programas de variedades, além de alguns longas-metragens. E atualiza diariamente o blog que leva seu nome: tonygoes.blogspot.com

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