Tony Goes

Finalmente, os bons começaram a vencer em 'Game of Thrones'

 Foram cinco temporadas excruciantes. Bastava o espectador torcer por alguém em “Game of Thrones”, que alguma coisa horrorosa acontecia com o personagem.

Exílio, decapitação, assassinato coletivo num casamento que se tingiu de vermelho: o autor George R. R. Martin e os produtores da série pareciam se divertir em maltratar o público.

Mesmo assim, ou talvez por isto mesmo, "Game of Thrones" se tornou um fenômeno de audiência. Talvez seja hoje o programa mais assistido do planeta —é impossível saber os números exatos, já que ele é também o mais pirateado.

Porque, no fundo, não passa de um novelão. Com bastardos, matriarca malvada, donzelas e todos os ingredientes de um folhetim mexicano. Os dragões e zumbis são só um tempero a mais, para atrair os "geeks" da geração Y.

A sexta temporada terminou domingo (26), e, pela primeira vez, não frustrou as expectativas dos fãs. Muitos dos malvados pereceram, alguns com requintes de crueldade. Houve até um eco da primeira peça de Shakespeare, "Titus Andronicus", onde um vilão come, sem saber, um prato feito com a carne de seus próprios filhos.

Alguns personagens bonzinhos também se foram, mas isto era mesmo de se esperar. "Game of Thronesde vez em quando sacrifica algum deles, para lembrar que ninguém está a salvo no violento mundo de Westeros.

Os produtores queriam fazer sete temporadas com dez episódios, mas a HBO alterou este plano. Fará oito, mas as próximas duas serão mais curtas. É uma maneira de estender o seriado de maior sucesso da história da emissora, que até agora não encontrou um substituto à altura. "Vinyl", uma grande aposta, foi cancelado depois de apenas uma temporada.

E é bastante provável que outras obras de George R. R. Martin também ganhem versões para a TV. Aposto que vem por aí um "prequel" de "Game of Thrones", narrando a guerra que depôs o "rei louco". Essa mina de ouro não será abandonada tão cedo.

Enquanto isto, o próprio autor não consegue terminar os dois últimos volumes da saga "As Crônicas de Gelo e Fogo", onde a série é baseada. Alguns leitores temem que os livros tragam histórias completamente diferentes das que foram mostradas na televisão. Outros temem o contrário: que sejam praticamente idênticas, já esvaziadas por "spoilers".

Na ausência dessas páginas, teremos mais um longo ano sem saber o que acontecerá na disputa pelo Trono de Ferro. As pistas são muitas: Daenerys, com seus guerreiros e dragões, se unirá a Dorne e aos Tyrrell que sobraram para destituir a recém-empossada rainha Cersei. Resta saber se ela receberá o apoio de seu (talvez) sobrinho Jon Snow, que finalmente teve parte de sua origem revelada.

O inverno chegou. Novos episódios, só em 2017.

Tony Goes

Tony Goes tem 56 anos. Nasceu no Rio de Janeiro, mas vive em São Paulo desde pequeno. Já escreveu para várias séries de humor e programas de variedades, além de alguns longas-metragens. E atualiza diariamente o blog que leva seu nome: tonygoes.blogspot.com

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