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Com sucessos pré-fabricados, Katy Perry faz show sensacional no Super Bowl

02/02/2015 - 11h03

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É a oportunidade mais cobiçada pelos astros da música pop. Quem consegue se apresentar lá recebe uma espécie de diploma de superstar: só os realmente grandes é que podem tocar durante o intervalo do Super Bowl, a final do campeonato de futebol americano.

Mas também é uma chance de dar a cara a tapa para uma plateia de mais de um bilhão de pessoas. Ofereça um show grandioso e impecável, e vão dizer que você não fez mais que a obrigação. Cometa um único deslize, e berrarão que você não tem o menor gabarito para estar ali.

Ou nem isto. Katy Perry ofereceu um show grandioso e impecável, sem um único deslize, e mesmo assim a crítica americana se dividiu. O site "Daily Beast", por exemplo, achou tudo uma bobagem deliciosa. Já para a revista "Entertainment Weekly", Katy ficou aquém das divas que passaram antes por aquele palco, como Beyoncé e Madonna.

A escolha da cantora não foi uma unanimidade. Comentou-se que ela disputou a vaga com Rihanna e a banda Coldplay. E seu pop ultraleve está longe de ser o som predileto dos fãs de um dos esportes mais violentos do mundo.

Mas o marketing explica. Depois de anos escalando bandas de rock barulhentas, os organizadores do Super Bowl perceberam que poderiam aumentar ainda mais a audiência do evento (tradicionalmente a maior do ano da TV americana) se escalassem artistas com apelo entre os públicos feminino e gay.

veja o vídeo

Deu certo. Em 2012, o show de Madonna teve mais espectadores do que o jogo em si.

Ainda não saíram os números de Katy Perry, mas deu para perceber que ela fez de tudo para atrair o maior público possível. Só cantou seus seis maiores hits, ou trechos deles —os 12 minutos da apresentação não permitem mais do que isto.

Também trouxe convidados distantes de seu trabalho. Lenny Kravitz tocou guitarra e dividiu com Katy os vocais do primeiro sucesso dela, "I Kissed a Girl", e o único que pode ser chamado de transgressor.

Mais surpreendente ainda foi a presença de Missy Elliott, uma rapper fundamental para a história do hip hop, que no entanto está sem lançar nada há muitos anos. Missy atacou com três músicas antigas que soam futuristas até hoje, enquanto Katy se contentava em fazer parte do coro.

Ela brilhou no resto do show. Usou quatro modelitos diferentes, sem que quem estava em casa percebesse as trocas de roupa. Entrou montada numa imensa pantera mecânica cantando "Roar". Dançou ao lado de bailarinos fantasiados de tubarões e palmeiras durante "Teenage Dream". E terminou da maneira mais óbvia possível, e mesmo assim impactante: bradando "Firework" suspensa sobre o estádio, enquanto que fogos de artifício explodiam no céu.

Muitas das músicas de Katy Perry soam pré-fabricadas, e planejadas para servir de trilha para comerciais de refrigerante. Mas ela é hoje a cantora branca que mais vende no mundo, e deu tudo de si no intervalo do Super Bowl. Goste-se ou não de seus discos, o show foi mesmo sensacional.

Tony Goes

Tony Goes tem 54 anos. Nasceu no Rio de Janeiro, mas vive em São Paulo desde pequeno. Já escreveu para várias séries de humor e programas de variedades, além de alguns longas-metragens. E atualiza diariamente o blog que leva seu nome: http://tonygoes.blogspot.com

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