Thiago Stivaletti

As verdades 'desnudas' de Rodrigo Lombardi

Desculpem, podem me chamar de velho, passado, antiquado. Mas que saudade da época em que série na Globo era adaptação de grandes clássicos —"O Tempo e o Vento", "Grande Sertão: Veredas", "Memorial de Maria Moura".

Por que investir numa historinha erótico-cafona que parece reeditar uma das piores séries da emissora, "Sex Appeal", aquela que revelou o grande, imenso talento de Luana Piovani? (Sim, a mocinha de "Verdades Secretas", a suburbana destinada a ser top model, também se chama Angel, como a Luana na série de 1993).

Primeiro, é preciso dizer: a bunda de Rodrigo Lombardi na janela, banhada numa meia-luz de comercial de perfume, foi totalmente calculada pra repetir o barulho da sagrada bunda da Paolla Oliveira em "Felizes para Sempre?", a última incursão da Globo nesse universo do "sexo, poder e dinheiro" —parece que a única coisa "interessante" pra se ver depois das 23h na TV, quando as crianças supostamente estão na cama, é sexo e nudez. Em 2015???

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"Verdades Secretas" é um fiapinho de história, a da modelo que vai brilhar nas passarelas e ser corrompida pela ambição. Mas a Globo sabe como prender a atenção de quem não tá nem aí pra essa trama.

Já no primeiro capítulo, dois grandes retornos. Drica Moraes volta apenas sete meses depois de ter que largar no meio a vilã Cora de "Império" —e a cena em que sua personagem, a mãe de Arlete/Angel, brinca com uma arma descarregada mostrou que ainda tem Cora ali pra queimar cartucho.

Mas o segundo, o verdadeiro retorno, é o da diva Marieta Severo, linda, cínica e maquiavélica depois de CATORZE anos presa nos bobes da dona Nenê de "A Grande Família". E já pegando o Reynaldo Giannechini depois de ser a tia protetora dele, há 15 anos, lá na última novela que ela fez, "Laços de Família". Marieta já teve bons papéis: a Catarina de "Vereda Tropical" (1984), a vilã Elvira de "Deus nos Acuda" (1992), a interesseira Loreta de "Pátria Minha" (1994). Mas sinto que a TV ainda lhe deve um grande papel. Carneiro, não quer chamar a "moça" pra sua próxima novela?

UMA NOVELA SEM RUMO

Tá complicada "Babilônia", hein? Há tempos não via uma novela tão perdida. Acho que aconteceu com ela o pior que pode acontecer: o autor muda muito a sua história original para atrair mais audiência, e no fim a coisa não fica nem a cara do autor, nem uma novela popular... nada. Para no meio do caminho.

Glória Pires faz o que pode, Adriana Esteves até ganhou um certo humor (mas pouco), Marcos Palmeira como pivô das duas é fraquinho demais. Cássio Gabus, que podia fazer a diferença, está na fase bobo apaixonado pela ex-futura garota de programa Sophie Charlotte. E Bruno Gagliasso parece que nem disfarça mais nas gravações a decepção com os rumos de Murilo, um cafetão vilão que agora só tenta recuperar a mulher amada.

É duro dizer, mas acho que os tempos estão mesmo muito caretas pras tramas "sujas" de Gilberto Braga. Podia inverter tudo: põe ele pra escrever a trama "pesada" de "Verdades Secretas", e volta o Walcyr Carrasco pras nove horas - ele, bem ou mal, sabe falar com o espectador mais conservador.

E não adianta dizer que a culpa é dos paulistas, como disse o Gilberto na entrevista ao "Globo".

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Thiago Stivaletti

Thiago Stivaletti é jornalista, crítico de cinema e noveleiro alucinado. Trabalhou no "TV Folha", o extinto caderno de TV da Folha, e na página de Televisão do UOL. Viciou-se em novela aos sete anos de idade, quando sua mãe professora ia trabalhar à noite e o deixava na frente da TV assistindo a uma das melhores novelas de todos os tempos, "Roque Santeiro". Desde então, não parou mais. Mesmo quando não acompanha diariamente uma novela, sabe por osmose todo o elenco e tudo o que está se passando.

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