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De Zé Mayer gay a troca de Cora, confira os altos e baixos de 'Império'

13/03/2015 - 13h17

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DE SÃO PAULO

"Império" vai deixar saudade? Provavelmente, não. Daqui a um mês "Babilônia" já vai ter mostrado a que veio e nem vamos lembrar do Comendador. Mas também é preciso dizer que foi a melhor novela de Aguinaldo Silva desde "Senhora do Destino" (2004), mais conhecida como a novela da Nazaré.

Ou alguém tem carinho por "Duas Caras" (2007), a novela do insosso Ferraço (Dalton Vigh) e do Fagundes como Juvenal Antena, o líder da favela? Menos ainda da Griselda de "Fina Estampa" (2011), esta sim uma novela em que nada se salvava.

Hora de relembrar os altos e baixos da história do Comendador, o que rolou e o que não vingou ao longo dos oito meses da novela:

O QUE ROLOU

COMENDADOR - Reza uma lei das novelas que as protagonistas mulheres são mais interessantes e rendem melhores conflitos. O próprio Aguinaldo não deixa mentir: "Tieta" e "Senhora do Destino" foram bem melhores que "Fera Ferida" ou "Duas Caras", por exemplo. Mas o carisma de Alexandre Nero e uma boa história armada em torno do ex-traficante de pedras preciosas que fez fortuna e montou seu império no Rio segurou bem as pontas, do começo ao fim.

MARIA MARTA - Mais do que o Comendador, Maria Marta segurou a novela nas costas. Entre o amor recalcado pelo ex-marido e a obsessão eterna pelo poder, ela foi agressiva, engraçada, emocional, sarcástica. Morria de rir cada vez que ela esculachava a "DanieLE" (Maria Ribeiro). Lília se redimiu e fez a gente esquecer a Griselda chata de "Fina Estampa", três anos atrás.

A TROCA DA CORA - Com todo mundo que discuto o assunto, eu finco pé: Marjorie Estiano não é nem metade da atriz que Drica Moraes é. Mas não dá para negar que ela segurou muito bem a maior vilã da novela, mantendo tanto o veneno quanto o lado cômico. Pena que Aguinaldo parece não ter se conformado com a troca e foi jogando a Cora para tramas secundárias. Até uma morte precoce e sem graça, tirando-a da novela quase um mês antes do fim.

OS SEGREDOS DE SILVIANO - Devia haver uma lei que obrigasse toda novela a dar um grande papel para um ator veterano que sempre comeu grama na TV. "Império" cumpriu a função com Othon Bastos, ator de 80 filmes, entre eles o clássico "Deus e o Diabo na Terra do Sol" (1964), de Glauber Rocha. O mordomo fiel de Maria Marta guardava os maiores segredos da novela, entre eles ter sido o primeiro marido da patroa. (A revelação de que era pai de Maurílio ficou meio forçada...)

Divulgação/TV Globo
Paulo Betti como o blogueiro Téo de "Império"
Paulo Betti como o blogueiro Téo de "Império"

O QUE NÃO ROLOU

PAULO BETTI GAY - Acho que nem o diretor de "Zorra Total" aceitaria um gay tão estereotipado, tão exagerado, tão ridículo. Que além de tudo era um blogueiro venenoso que só fazia destruir reputações. Na busca do sucesso fácil, Paulo Betti foi exagerando cada vez mais nos bicos, caras e bocas. Depois do avanço que foi o beijo gay do Félix em "Amor à Vida", esse foi puro retrocesso.

ZÉ MAYER GAY - O que se anunciou como pura ousadia, o primeiro papel gay do galã mais pegador da Globo, logo voltou ao armário. Constrangido por uma mulher bondosa e tolerante, Claudio Bolgari não teve coragem de se separar e praticamente abandonou o namorado, Leonardo (Klebber Toledo), que ficou sem função na novela.

MAURÍLIO - Carmo Dalla Vecchia tinha a faca e o queijo na mão para compor um grande vilão cheio de mistérios. Mas cada vez que aparecia com sua cara de sono, não dava a mínima vontade de saber qual era o tal golpe misterioso que armava para cima do Comendador.

CRISTINA - Ainda não foi desta vez que Leandra Leal conseguiu um grande personagem em novela. Cristina começou como protagonista, a filha ilegítima que deveria herdar o império do pai e brigar com a família rica, mas foi se apagando e perdendo espaço para os outros três filhos.

Thiago Stivaletti

Thiago Stivaletti é jornalista, crítico de cinema e noveleiro alucinado. Trabalhou no "TV Folha", o extinto caderno de TV da Folha, e na página de Televisão do UOL. Viciou-se em novela aos sete anos de idade, quando sua mãe professora ia trabalhar à noite e o deixava na frente da TV assistindo a uma das melhores novelas de todos os tempos, "Roque Santeiro". Desde então, não parou mais. Mesmo quando não acompanha diariamente uma novela, sabe por osmose todo o elenco e tudo o que está se passando.

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