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Neil Patrick Harris foi o fiasco de um Oscar tedioso

23/02/2015 - 17h23

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Vamos falar a verdade: a gente odeia "Cinquenta Tons de Cinza", mas, no fundo, tem um masoquista que mora dentro da gente. Que faz com que, ano após ano, a gente se plante na frente da TV até 2h30 da manhã e comece a semana esbagaçado. Tudo pra ver a enfadonha cerimônia do Oscar.

Há quantos anos o roteiro é sempre o mesmo? Muda o apresentador, mas o número de abertura, um musical engraçadinho puxado dos musicais da Metro dos anos 50, é sempre o mesmo. Daí vem o prêmio pra ator coadjuvante —oba, que legal, que interessante. Mas é um pega-trouxa.

Na sequência vai vir a lista interminável dos prêmios técnicos, e o Oscar de melhor curta, e o Oscar de melhor documentário, e o Oscar de melhor curta documentário... Tudo isso entremeado pelo quê? Pelos números do Oscar de melhor canção. Todo ano algum se salva —neste foi o glorioso coral de "Glory", de "Selma", com o incrível John Legend. Mas os outros quatro... Haja paciência. Muita gente curtiu a Lady Gaga cantando as músicas da "Noviça Rebelde". Mas é preciso esquecer que ela é dez vezes melhor e mais autêntica mandando "Poker Face" ou "Bad Romance".

Na tentativa de agradar o "público jovem", que não quer saber de "Boyhood" e "Birdman", só de "Transformers" e "Jogos Vorazes", desta vez escalaram Neil Patrick Harris, da sitcom "How I Met Your Mother", mais popular lá do que aqui. Foi um fiasco. Piadas sem graça, falta de timing... Se eu fosse o Obama —ou pelo menos a presidente da Academia, Cheryl Boone— baixava um decreto pelo qual apenas três pessoas poderiam apresentar o Oscar: Billy Crystal (do alto dos seus 67 anos), Whoopi Goldberg (59) ou Steve Martin (69). Os jovens que me perdoem, mas no Oscar, panela velha é que faz comida boa.

E sobre a premiação... o que dizer? Fiquei triste pelo "Boyhood", um filme despretensioso no melhor sentido da palavra, que saiu quase de mãos abanando —uma estatuetazinha pra Patricia Arquette—, e pelo Sebastião Salgado, que merecia a visibilidade do Oscar pra fazer o seu trabalho ser conhecido de uma vez por todas pelo mundo inteiro.

Mas tudo bem... Ano que vem a gente tá lá de novo. Sofrendo a mesma maratona. Pelo menos as mídias sociais tão aí, pra transformar o patético e insosso em divertido. Como disse alguém no Face: como era o Oscar antes da internet mesmo? A gente nem se lembra mais.

Thiago Stivaletti

Thiago Stivaletti é jornalista, crítico de cinema e noveleiro alucinado. Trabalhou no "TV Folha", o extinto caderno de TV da Folha, e na página de Televisão do UOL. Viciou-se em novela aos sete anos de idade, quando sua mãe professora ia trabalhar à noite e o deixava na frente da TV assistindo a uma das melhores novelas de todos os tempos, "Roque Santeiro". Desde então, não parou mais. Mesmo quando não acompanha diariamente uma novela, sabe por osmose todo o elenco e tudo o que está se passando.

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