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O desespero da TV no começo do ano

09/01/2015 - 12h03

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Qualquer pessoa muito ligada em TV já sabe. Em dezembro, é aquela batelada de especiais de fim de ano, Roberto Carlos, retrospectivas etc. Em janeiro, o desespero e o tédio tomam conta. No horário nobre, a coisa até anda, e esse festival dos 50 anos da Globo, com clássicos como "O Pagador de Promessas" e "Anos Dourados" —mesmo que retalhe os produtos originais com uma montagem doida que encaixe uma série em duas horas - foi uma ótima ideia.

Mas durante o dia, nada se salva. Esta semana, resolvi ligar a TV de manhã. A Fátima saiu de férias e deixou no lugar a chata da Ana Furtado, mulher do Boninho. "Hoje vamos comemorar o aniversário desta atriz maravilhosa, Nicette Bruno, que completa 88... Não, 82 anos!". O aniversário da pobre Nicette foi gancho para algumas reportagens sobre pessoas centenárias no Brasil. Fiquei sabendo, por exemplo, que o estado com mais centenários é a Bahia —dona Canô, mãe de Caetano e Bethânia, não nos deixava mentir—, com mais de 3.000 velhinhos que passaram a linha do século de vida. Mas... Poxa, nossa querida Nicette ainda tem 18 anos pela frente antes de atingir a marca. Ficou meio forçado.

Divulgação/TV Globo
Nicette Bruno é homenageada no "Encontro"
Nicette Bruno é homenageada no "Encontro"

O martírio de Nicette —que no ano passado já perdeu o marido, o saudoso Paulo Goulart— não parou por aí. Seu "parabéns pra você" foi cantado pelo insuportável grupo baiano Psirico. E, num dado momento, um grupo de treinadores de cross fit, aquela nova modalidade de exercícios puxados que envolve levantamento de peso e uma disciplina militar, entrou no palco. Na ansiedade de mostrar que cross fit não tem idade, um dos treinadores puxa a pobre Nicette para treinar. Foi de leve, apenas um sentar e levantar repetido da cadeira. Mas, de qualquer maneira, nossa pobre diva certamente vai querer comemorar seus 83 anos na Islândia, para não ter chance de a Globo convocá-la de novo para um mico desses.

AS BAIXARIAS DE 'IMPÉRIO'

Gosto muito da novela, mas penso que Aguinaldo Silva podia pegar um pouco mais leve com algumas baixarias de "Império", não? Há algum tempo, o Comendador agredia Cora dizendo que "ninguém nunca vai querer tirar o seu lacre". Me senti na Idade Média. OK, Zé Alfredo é um bronco, mas convém não ficar reforçando o machismo brasileiro. Esta semana, o homofóbico Enrico (Joaquim Lopes) atirou na piscina de um hotel Théo Pereira (Paulo Betti) aos gritos de "Viadinho, tomara que morra". Como Théo é um gay venenoso e insuportável, muita gente deve ter dado boas gargalhadas e aplaudido a atitude e as palavras do playboy. Péssimo.

AVISO AOS NOVELEIROS

Sabiam que o box de DVDs de "Vale Tudo" (1988), para sempre a novela da Odete Roitman, tem uma versão que vem com uma luxuosa almofada e uma caneca com o logo da novela? Como o box é caro (R$ 165 sem os brindes) e a novela reprisou no Viva há pouco tempo, a Globomarcas resolveu agregar uns presentinhos pra atrair mais os noveleiros. Ganhei do meu pai de Natal e parecia mais criança que o meu sobrinho de dois anos ganhando um carrinho com controle remoto.

Ah, e a mais recente a sair do forno é "A Sucessora" (1978), em que Manoel Carlos se inspirou descaradamente no filme "Rebecca - A Mulher Inesquecível" (1940), de Hitchcock. Susana Vieira, Nathalia Timberg e Rubens de Falco formam o trio de ouro da novela.

Thiago Stivaletti

Thiago Stivaletti é jornalista, crítico de cinema e noveleiro alucinado. Trabalhou no "TV Folha", o extinto caderno de TV da Folha, e na página de Televisão do UOL. Viciou-se em novela aos sete anos de idade, quando sua mãe professora ia trabalhar à noite e o deixava na frente da TV assistindo a uma das melhores novelas de todos os tempos, "Roque Santeiro". Desde então, não parou mais. Mesmo quando não acompanha diariamente uma novela, sabe por osmose todo o elenco e tudo o que está se passando.

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