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Hillary Duff e a arte de transformar um bebê em produto
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O que uma moça grávida faz na hora de escolher o nome do filho? Bem, no mundo que a gente conhecia até pouco tempo, ela se debruçava em livros de nomes de bebês, pedia ajuda para os amigos, pensava em homenagear familiares, um ídolo, algo por aí. Um processo íntimo, claro. Mas a atriz, cantora e celebridade adolescente Hillary Duff veio ao Brasil só para nos mostrar que tudo mudou. E nos assustar um pouquinho. "Quando souber o sexo do meu filho vou postar na internet e vocês podem votar no nome pelo Twitter". "Vocês vão escolher o nome do meu filho", disse em um encontro com fãs. Como assim?
Não, ela não estava falando do nome de um novo disco, ou de uma linha de perfumes que lançaria. Mas de seu primeiro filho! O pobre coitado ainda nem nasceu e já virou uma espécie de novo tipo sabão em pó. Sim, no mercado publicitário é normal fazer promoções para escolher nomes de produtos. Mas um filho, teoricamente, não é um produto, certo? Quer dizer, só teoricamente.
Cada vez mais, na indústria de celebridades, as crianças viram produtos comerciais (assim como os seus pais, mas, epa, pelo menos eles escolheram por isso!). Engravidar pode ser uma ótima jogada de marketing se a celebridade fizer isso do jeito "certo". Uma epopeia que inclui visitar lojas de roupas para bebês acompanhadas de fotógrafos (e quem sabe já com patrocínio da tal loja), postar fotos do recém nascido no Twitter, dar entrevista para revistas de celebridades com várias fotos da criança e, claro, depois realizar grandes festas de aniversário, com ampla cobertura da mídia, como se na verdade se tratasse de uma espécie de semana de moda. Ou uma festa de lançamento ou comemoração do sucesso de... um produto.
| Delson Silva/AgNews | ||
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| A cantora Hillary Duff no aeroporto internacional do Rio |
Mas não é disso mesmo que se trata, já que seus pais aproveitaram a sorte de ter um filho lindo para vender um pouco a imagem de família margarina?
No mesmo dia em que Hillary Duff anunciava um concurso para escolher o nome do seu filho pelo Twitter e diminuía um pouco a nossa crença na raça humana, a primeira dama francesa Carla Bruni falava pela primeira vez sobre a sua gravidez. "Vou fazer de tudo para proteger essa criança e eu vou ser absolutamente rigorosa. Eu nunca vou mostrar fotos dela e nunca vou expô-la."
Talvez nem tudo esteja perdido. Ou talvez Bruni seja exceção. Pobres criancinhas, que nem pediram para nascer. E muito menos para viverem "grifes".
Nina Lemos tem 40 anos e é carioca exilada em São Paulo. Escreve para a "Folha" desde os anos 90 onde, entre outras coisas, atuou como colunista com o trio 02 Neuronio. É autora de cinco livros com o grupo e do romance "A Ditadura da Moda". Atualmente é repórter especial da revista "Tpm".
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