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Joaquin Phoenix fuma e sai no meio de entrevista no Festival de Veneza

01/09/2012 - 14h27

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RODRIGO SALEM
ENVIADO ESPECIAL A VENEZA

Joaquin Phoenix confirmou seu status de bad boy de Hollywood no Festival de Veneza em entrevista coletiva realizada neste sábado (1º). Ao divulgar seu novo filme, "The Master", de Paul Thomas Anderson ("Sangue Negro", "Magnólia"), o ator não fez muita questão de bancar o sociável.

Calado em boa parte do tempo e deixando o falatório para Anderson e para o colega de elenco, Philip Seymour Hoffman, Phoenix acendeu um cigarro na sala da coletiva e, em determinado momento, abandonou a entrevista para retornar algum tempo depois.

O astro foi bastante aplaudido pela imprensa por causa de seu papel no longa, que o torna favorito ao Oscar 2013 de melhor ator, mas isso não pareceu empolgá-lo. Ele falou apenas duas vezes na entrevista mais concorrida de Veneza: "Eu não sei", quando perguntado sobre de onde veio a fúria de seu personagem, e "Deixa que respondo essa", quando uma jornalista fez uma pergunta para o cineasta em italiano --Phoenix não estava usando o fone para a tradução simultânea.

O comportamento errático do ator acabou ofuscando o sucesso de "The Master", o filme mais aplaudido do festival até agora. Paul Thomas Anderson foi até os anos 1950 para criar Lancaster Dodd, um carismático filosofo, cientista e escritor que funda uma espécie de nova religião conhecida como "A Causa".

Phoenix faz um ex-militar saído da Segunda Guerra Mundial com traumas psicológicos, um desejo sexual incontrolável e um vício por álcool. "Sempre quis trabalhar com Joaquin e ele recusava. Ainda bem que agora aceitou. Ele pode ser um chato, mas vale a pena", brinca o diretor.

Os dois personagens encontram-se em um momento crucial para ambos. Dodd precisa de uma cobaia para provar suas teses sobre o domínio da mente sobre o corpo, enquanto Freddie Quell necessita de um pai/salvador que controle suas explosões de raiva.

É quando entra o tema polêmico da inspiração de Anderson para criar os métodos de Dodd, que muitos achavam que terminaria em uma análise profunda da Cientologia e de seu criador, o autor de ficção cientifica L. Ron Hubbard (1911-1986).

Sim, "A Causa" é inegavelmente baseada nos exercícios, nas ações radicais e nas origens do culto, contudo não é uma investigação profunda sobre o culto hoje em dia. "Dodd é baseado em Hubbard e na antiga 'Dianética' [obra de Hubbard no qual a Cientologia baseia-se), mas não sei nada sobre a Cientologia de hoje", confirma o cineasta, que é amigo de Tom Cruise, um dos nomes mais proeminentes da religião --considerada um culto em vários países.

Alguns boatos, inclusive, chegaram a sugerir que Cruise teria pedido para Anderson esquecer a idéia do roteiro e que ficou chateado em saber que o amigo não mudaria o tema. "Eu mostrei o filme para ele, mas o resto fica entre nós dois", rebateu o diretor sem deixar claro a reação do astro hollywoodiano.

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